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No dia 1.º de novembro de 1889, o presidente da Província do Paraná mandara arrear os cavalos para buscar a família na cidade de Palmeira. Seria a última vez que o conselheiro Jesuíno Marcondes contemplaria os pinheirais onde nasceu. Os dias seguintes seriam de despedidas, para uma longa viagem que acabaria na edição de 8 de outubro de 1903 do jornal Diário da Tarde, numa nota redigida pelo jornalista e escritor Ermelino de Leão: "Infausta notícia para o Estado do Paraná: falleceu hontem, na Suissa, um dos seus mais dilectos filhos – o conselheiro Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá. Em Genebra abriu-se a sua sepultura".

Confortado pela esposa, Domitila Marcondes Alves de Araújo, uma filha e um filho, no caminho de volta da Palmeira o monarquista explicava à família o que de tão grave sucedia: a proclamação da República era coisa de uma hora para outra. Restaria passar o cargo para algum republicano e, depois de uma breve estada em São Paulo, partir para a Europa. E assim foi.

Na cena seguinte, a história encontra o último paranaense do Império em Genebra: "Em uma linda vivenda na pittoresca e doce pátria de Guilherme Tell, o exilado voluntário não esquecia um instante o seu Brasil, e muito menos o seu querido Paraná". Formado em "sciencias sociaes e jurídicas", conselheiro da Coroa, deputado geral e ministro de Agricultura do Império, o filho do Barão de Tibagy era um visionário: autorizou as explorações para a navegabilidade dos rios Iguaçu, Paranapanema, Tibagi e Ivaí. Fez projetos para a abertura de uma estrada ligando Palmas a Corrientes, na Argentina, e impulsionou a construção da Estrada da Graciosa, além de iniciar a construção de outra, entre Curitiba e o porto de São Francisco (SC), sustada pelos republicanos.

Da Suíça, Jesuíno Marcondes mantinha uma correspondência íntima com o amigo Ermelino Agostinho de Leão (1871-1932): "Correm as semanas e mezes, as noticias do Brazil são sempre as mesmas: Canudos devorando o exercito, o deficit sem remédio, o câmbio submergido". "Sem pretender devassar o futuro, parece-me que São Paulo será ainda por algum tempo a terra dos presidentes." "De lá me escrevem que os brasileiros mais felizes são os que vivem fora da Pátria. É bem amargo o pão no estrangeiro. O que me suavisa o seu trato é ter cá os filhos e as netas, e estar fóra de nossa hedionda política que já me enjoava em melhores tempos, quanto mais agora que se disputam os despojos a ferro e fogo. Será vício orgânico da raça latina?"

O último homem de dom Pedro II é uma travessa em Curitiba. Aquele que começou na Palmeira e terminou em Genebra, hoje começa na Praça Osório e termina na antiga Rua Aquidaban, atual Emiliano Perneta.

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