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As corridas de Fórmula 1 disputadas em Interlagos, como a realizada no último domingo, reacendem um pouco do interesse dos brasileiros pela mais tradicional competição automobilística do mundo. É a lógica da proximidade: o que está perto desperta mais atenção. Apesar disso, o magnetismo do esporte vem perdendo força desde a morte de Ayrton Senna, há 20 anos. Sem ele nas pistas, o país nunca mais conquistou um campeonato. Mas há outro fator: juntamente com a escassez de triunfos nacionais, parece cada vez haver menos disputa entre pilotos, com raras exceções em algumas temporadas. E, nesse aspecto, a Fórmula 1 pode ter muito a dizer sobre a economia num ambiente em que a tecnologia é cada vez mais presente.

A impressão de que há menos competitividade nos grandes prêmios se confirma pelos números. A Fórmula 1 existe desde 1950. Nos primeiros 32 campeonatos, 19 pilotos foram campeões. Nos últimos 32, a quantidade caiu para 15 (2014 não está na conta porque o vencedor não foi definido). O Mundial de Construtores, criado em 1958 e que premia a melhor equipe, também está menos concorrido. Nas primeiras 28 temporadas, dez escuderias conquistaram o título. Nas últimas 28, foram oito (contando 2014, pois a Mercedes já é campeã).

Em entrevista ao jornal O Globo na última quinta-feira, o tricampeão Nelson Piquet foi taxativo: a tecnologia é cada vez mais decisiva e o piloto tem menos papel nas vitórias. E, como desenvolver um carro tende a ser mais caro a cada campeonato, poucas equipes têm condições de estar na ponta. Isso cria um círculo vicioso: o dinheiro concentra-se em quem vence, dificultando o trabalho daqueles que ficaram para trás. Na atual temporada, duas das 20 equipes fecharam as portas por problemas financeiros. Para 2015, há o risco de outras três não participarem do mundial devido à falta de verba.

Mas o que, afinal, isso tem a ver com a economia? Muito. A Fórmula 1, de certo modo, é um microcosmo do ambiente econômico. Equipes, assim como as empresas, concorrem uma contra a outra. E vencem as que conseguem ser mais eficientes. Nessa busca, a tecnologia tem sido uma aliada de primeira hora. E não raras vezes o desenvolvimento tecnológico implica o fechamento de empresas, a perda de empregos e a concentração do mercado – de modo semelhante ao que ocorre no automobilismo, com menos equipes fortes.

Obviamente, a evolução da tecnologia é uma realidade inevitável. Mas a competição – tanto no esporte como na economia – deve ser preservada para o bem de todos. Os organizadores da Fórmula 1 frequentemente criam novas regras para estimular a disputa. Esse também tem de ser o papel do Estado na economia.

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