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"É proibido proibir." Há exatos 45 anos o mundo ouvia um grito de liberdade juvenil no que ficou conhecido como Maio de 68. A revolta de estudantes franceses só durou um mês, mas ainda hoje reverbera seus ecos pelos quatro cantos do planeta. Desde então, o mundo "rejuvenesceu" – para o bem e para o mal.

O fim dos anos 60 já acumulava significativas mudanças nos anseios e comportamento dos jovens. Mas, para eles, aquela ainda era uma sociedade "velha" e "reprimida". Bastou um protesto de universitários franceses e a reação violenta da polícia para a panela de pressão estourar. Estudantes ocuparam faculdades, montaram barricadas nas ruas de Paris, organizaram sua revolução e influenciaram o mundo adulto dos operários – que espalharam greves pelo país.

A juventude da enriquecida geração pós-guerra se tornava protagonista da história e passava a ser ouvida. Nem que fosse para pedir o irrealizável, num sinal da clara inconsequência e irreverência da pouca idade. "Seja realista, exija o impossível", clamavam em manifestos e pichações.

As máximas que eternizaram o Maio de 68 são marcadas ainda pelo culto à liberdade quase ilimitada e ao prazer pessoal. E também pelo irônico desprezo de toda e qualquer instituição. "Eu faço dos meus desejos a realidade por acreditar na realidade dos meus desejos." "Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites." "Trabalhadores do mundo, divirtam-se." "Levemos a revolução a sério, não nos levemos a sério." "O patrão precisa de ti; tu não precisas dele." "O sagrado, eis o inimigo." "Todo poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente."

Se havia algum projeto político naquela revolução alimentada a hormônios em ebulição, era a demolição dos alicerces da civilização, com todos os seus erros e acertos. E, ainda que a maioria dos estudantes estivesse alinhada à esquerda, havia fortes críticas ao socialismo real do Leste Europeu. Sem atingir o impossível como queria, o movimento se dissipou. Assim, celebrou em seu final outro de seus aforismos: "Viva o efêmero".

Mas nada mais seria o mesmo. O Maio de 68 contribui decisivamente para disseminar causas como os direitos das minorias, a igualdade entre gêneros e etnias, a liberdade sexual. O jovem passou ainda a ser ator social de peso. A política hoje o vê. E – suprema ironia, já que o Maio de 68 era anticapitalista – o mercado o enxerga muito mais. Virou consumidor disputadíssimo. E a juventude eterna, incensada na propaganda, agora é o ideal a ser alcançado. A sociedade contemporânea – adultos incluídos – também é fortemente permeada por parte do imaginário de 68: viver sem limites, buscar a realização dos desejos acima de tudo, colocar a diversão no centro da vida.

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