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Fernando Martins

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Faça um teste: tente definir sentimentos ou sensações fortes que você já viveu e verá como é difícil expressá-los em sua integralidade. A impressão é que sempre falta um rabicho.

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  • 03/08/2016 00:01

A memória é como uma rede: você puxa um fio, que puxa outro, que às vezes pesca algo submerso no mar do esquecimento. E foi assim que aconteceu: lembrei de uma conversa num almoço de não faz tanto tempo assim (depois eu chego nisso!), que me trouxe a lembrança de algo que ouvi muitos anos atrás: o significado profundo da palavra “obrigado”. Lembrei disso e não quis deixar se perder. Coloco no papel porque há coisas importantes que a vida insiste em nos fazer esquecer. Essa é uma delas.

Chega de rodeios e vamos à história do “obrigado”. O professor contava que nem sempre as palavras conseguem abarcar todas as dimensões da realidade que pretendem exprimir. Faça um teste: tente definir sentimentos ou sensações fortes que você já viveu e verá como é difícil expressá-los em sua integralidade. A impressão é que sempre falta um rabicho. Um quê de não sei o quê a dizer. Para piorar, afirmava o mestre, com o tempo temos o péssimo hábito de esquecer o sentido original das palavras. E talvez com isso esqueçamos o verdadeiro valor de alguns valores que a linguagem busca manifestar.

O professor explicava então que há três patamares de gratidão expressos nas mais variadas línguas. O mais superficial é reconhecer o benefício recebido. O segundo contempla o primeiro e dá um passo adiante: é dar graças pelo favor. O terceiro mergulha num nível maior de profundidade: a retribuição.

O agradecimento na língua inglesa, por exemplo, exprime o primeiro nível. To thank (agradecer) tem a mesma origem do verbo to think (pensar). Só é agradecido quem pensa e reconhece o favor. O espanhol, o italiano e o francês ficam na segunda dimensão: gracias, grazie e merci.

É aqui que entra o “obrigado” propriamente dito – essa palavrinha tão falada por nós. O português – sorte nossa! – nos legou a gratidão mais ampla. Ao dizer “obrigado” estamos literalmente afirmando que nos sentimos na obrigação de retribuir.

Será que é sempre assim? Ou falamos “obrigado” só por dizer? Bem, agora isso não vem ao caso...

Então volto ao primeiro fio dessa meada – a conversa no almoço (eu não esqueci!). Entre uma garfada e outra, quase que despretensiosamente ouvi de alguém por quem tenho apreço: há palavras – boas palavras – que deveríamos dizer aos outros, mas que não falamos sei lá por quê. Então o tempo passa. Passa mais. E, quando acabamos caindo sem si, a chance se foi. Só nos resta o arrependimento de não haver dito o que deveria ser falado. Tal qual o significado profundo da gratidão, essa é uma verdade da vida que insistimos em esquecer.

Mas não por hoje. Em meio a um mundo por vezes ingrato e injusto, é preciso lembrar de dizer “obrigado”.

Obrigado a todos que dão um elogio sincero. Àqueles que, por meio da palavra amiga, nos incentivam e nos fazem desistir de desistir.

Obrigado ainda a quem, por meio de pequenas atitudes, ajudam a inspirar os demais – ainda que nem saibam disso. Aos honestos e francos. Nem sempre é fácil ser assim. Aos que assumem com firmeza suas opiniões. Inclusive aos que, por vezes, discordam de nós. Há quem não goste disso. Mas eles nos ajudam a respeitar as diferenças.

Obrigado também aos que enfrentam desafios com coragem (e coragem não é ausência de medo, mas encará-lo de frente). Aos que são altivos na adversidade. E aos que levantam logo depois de cair. E obrigado, sobretudo, a quem sabe dizer “obrigado”.

Tudo isso é algo que não devemos esquecer.

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