Câmeras na Rodoferroviária: os 36 aparelhos começam a funcionar oito meses depois da morte da menina Rachel | Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Câmeras na Rodoferroviária: os 36 aparelhos começam a funcionar oito meses depois da morte da menina Rachel| Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo

Policiais à paisana

A previsão da Polícia Militar é de que o número de ocorrências nas rodoviárias caia mais devido ao monitoramento por câmera. No entanto, de acordo com o subtenente do 20º Batalhão da PM, Luiz Henrique de Andrade, ainda é preciso acabar com a ação dos batedores de carteira. O policial explica que eles dão um jeito de "driblar" a fiscalização. Geralmente, um fica na frente da câmera enquanto o outro faz o furto.

A PM irá pôr policiais à paisana. (BMW)

O sistema de monitoramento por câmera de segurança na rodoferroviária de Curitiba entrou ontem oficialmente em operação. A instalação ocorre oito meses após o corpo da menina Rachel Genofre ter sido encontrado numa mala abandonada no local. Na época, a falta de câmeras foi apontada como um dos empecilhos para elucidar o caso, que continua sem solução.

A partir de agora, 36 câmeras monitoram toda a rodoviária, por onde passam diariamente 30 mil pessoas, captando detalhes do embarque do passageiro a uma visão 3600 da parte externa. Se a segurança interna melhorou, o combate à violência no entorno ainda é um desafio.

Quem trabalha na rodoviária diz que se sente mais protegido desde que a instalação das câmeras foi anunciada. Nos arredores, no entanto, o medo continua. "O ponto perigoso é entre a rodoviária e o Viaduto Capanema. Teve gente que foi assaltada quando ia buscar o carro", diz Gisele Bileski, funcionária de uma lanchonete. "Acho que nos arredores precisa de mais segurança. Os passageiros ficam só aqui dentro da rodoviária com medo de ir lá fora", afirma a funcionária Irene Almeida.

O subtenente do 20º Batalhão da Polícia Militar Luiz Henrique de Andrade reconhece que é necessário reforçar o policiamento do entorno. Futuramente, ele pretende intensificar o policiamento nas linhas de ônibus que levam passageiros até a rodoferroviária. Segundo Andrade, muitas vezes o roubo ou furto ocorre dentro dos ônibus, no caminho para a rodoviária.

Andrade diz que sua equipe também atua fora dos limites da rodoviária e que está havendo diminuição da violência. No mês de maio foram registradas 37 ocorrências, como roubo de carteira, furto e brigas, e seis pessoas foram pegas em flagrante. Em junho, as ocorrências caíram para dez e os flagrantes, para dois. A diminuição é creditada ao aumento do efetivo policial – de 4 homens para 22 – e ao policiamento 24 horas.

Sistema

Das 36 câmeras, seis são externas e podem captar imagens num ângulo de rotatividade de 360°. As outras são fixas e ficam na parte interna da rodoviária – 15 em cada bloco. Profissionais da Urbs e policiais monitoram as imagens, que serão guardadas por 30 dias. O sistema de monitoramento ficou dois meses em teste. Neste período, policiais prenderam um assaltante que roubou uma taxista.

O projeto inicial previa um número maior de câmeras – cerca de 50. O presidente da Urbs, Marcos Isfer, diz que o número foi reduzido porque com 36 câmeras é possível ter a cobertura total. "Não é o número de câmeras que é significativo. É a cobertura". O projeto foi desenvolvido pelo Instituto Curitiba de Informática (ICI), similar ao da Rua XV de Novembro.

O vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, confirma que um dos grandes motivos para a instalação de câmeras foi o caso Rachel. Segundo ele, a demora ocorreu por questões burocráticas, envolvendo licitação e a escolha do melhor projeto. Ducci completa que os próximos bairros a receber câmeras serão Bairro Novo e Sítio Cercado. "A instalação de câmeras é uma das contrapartidas do município para ajudar o estado no combate à violência", afirma.

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