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Com o aumento de casos no Brasil, pesquisadores tentam comprovar a relação entre zika vírus e Síndrome de Guillian-Barré

  • PorLaura Beal Bordin
  • 01/03/2016 16:14
 | Raul Santana/Fiocruz Imagens
| Foto: Raul Santana/Fiocruz Imagens

O zika vírus, que é o provável causador do aumento de casos de bebês com microcefalia no Brasil, também pode estar relacionado ao aumento no número de pacientes adultos com problemas neurológicos no país, como a Síndrome de Guillian-Barré. O Instituto Francês Pasteur publicou na última segunda-feira (29) o primeiro estudo sobre a relação entre o vírus e a síndrome que ocasionou um surto de zika na Polinésia Francesa entre outubro de 2013 e abril de 2014 e verificou que 98% dos pacientes diagnosticados com Guillian-Barré também foram infectados pelo zika vírus.

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No estudo, os pesquisadores franceses sugerem que o zika vírus seja adicionado à lista de patologias infecciosas que causam a síndrome e alertam para o aumento no número de casos nas Américas. “Os países precisam estar preparados para ter vagas suficientes em unidades de tratamento intensivo para tratar os pacientes com os sintomas da síndrome de Guillian-Barré”, diz o texto.

Pesquisadores brasileiros já verificaram uma possível relação entre a chegada do vírus no país e um aumento nos casos de pacientes com a síndrome. De acordo com o neurologista e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Osvaldo Nascimento, os casos aumentaram entre cinco e seis vezes desde que o zika vírus entrou no país, em maio de 2015. Anteriormente, os pacientes diagnosticados com a síndrome eram entre 4 e 5 a cada 100 mil habitantes - agora, o número passou para 20 a 30 pacientes em cada 100 mil. Mesmo com o aumento, a síndrome ainda é considerada rara. O número de pacientes que tem se apresentado com sintomas da síndrome nos hospitais brasileiros tem preocupado os médicos. “Começamos a notar que o número de pacientes aumentou ao mesmo tempo que o vírus entrou no Brasil e nos mesmos lugares onde os casos de microcefalia se apresentaram”, explica Nascimento.

Para estudar os casos, os pesquisadores formaram uma rede com 18 neurologistas que trabalham em hospitais da rede pública e privada no país e desenvolveram um projeto de pesquisa que está sendo realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro. No estado, 23 pacientes entre 18 e 67 anos estão com a doença e relatam ter sido infectados pelo vírus da zika. Outros casos foram registrados nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Pará e Goiás. Estuda-se também a possibilidade de pacientes com a doença no sul do país.

Casos relacionados ao zika seriam mais graves

A Síndrome de Guillian-Barré é uma doença autoimune que ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso por engano – o que provoca desde fraqueza muscular, inflamação dos nervos, até a paralisia de membros. A hipótese dos especialistas é de que, quando o paciente sofre uma infecção aguda pelo zika vírus, o sistema imunológico reaja e cause a lesão cerebral. “O vírus da zika é mais leve do que o vírus da dengue, mas a resposta do sistema imunológico é muito rápida e intensa”, diz o pesquisador.

De acordo com Nascimento, por causa da rápida resposta imunológica, os sintomas tem se apresentado rapidamente e pacientes com casos mais graves da síndrome também tem aumentado. “Normalmente, 75% dos pacientes com a Síndrome de Guillian-Barré apresentam uma evolução muito boa e apenas 5% são casos fatais, que podem levar a óbito. Os casos de óbito, porém, tem se tornado cada vez mais frequentes”, explica.

Estudos clínicos e laboratoriais estão sendo realizados

Para entender as reações do zika vírus no sistema nervoso, equipes multidisciplinares estão sendo formadas para estudar os casos, o que envolve exames clínicos e laboratoriais. A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora científica do Instituto D’or (IDOR), Fernanda Moll, comanda um desses grupos que busca a confirmação real das alterações que o zika vírus pode causar no cérebro – tanto nos casos de microcefalia, quando nos casos de adultos com Guillian-Barré.

“Por meio de ressonâncias magnéticas vamos estudar lesões em regiões específicas do cérebro, já que o exame permite identificar alterações sutis no tecido cerebral”, conta. De acordo com a diretora, quando o ataque ao sistema nervoso acontece por um processo infeccioso, como é o caso das contaminações pelo vírus da zika, é possível identificar as marcas da infecção. “Ainda falta muito para provar a relação do zika vírus tanto com a microcefalia quanto com outras síndromes. Mas estudos já mostraram que o vírus chega até o cérebro. Com os exames, buscamos pistas que nos ajude a entender o que causou a alteração no tecido cerebral”, comenta. “Os sintomas neurológicos são claros e estão se apresentando com maior frequência, mas muitas dúvidas existem. Estamos tentando desvendá-las”.

Apesar do quadro preocupante, o pesquisador Osvaldo Nascimento afirma que não há necessidade para alarme e sim um estado de atenção. “Esperamos que, assim como em outros casos de epidemias virais, o aumento de casos seja sazonal”, diz. “É importante que tenhamos atenção e, acima de tudo, que isso sirva para que possamos ter atitudes de prevenção bem definidas, como não deixar água parada e evitar a criação do mosquito transmissor. Se fizermos isso, vamos evitar todas estas preocupações”, opina. Para o neurologista, o estudo será um passo importante para que a medicina consiga identificar as características genéticas do vírus e a resposta imunológica do organismo. “Com estas informações, no futuro, poderemos ter respostas mais rápidas e criarmos vacinas para o zika vírus e outros vírus que possam surgir”.

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