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Curitiba e região podem ter greve parcial de ônibus no fim de semana do Enem

Paralisação afetaria, inicialmente, as empresas que não fizeram o pagamento integral do adiantamento salarial de motoristas e cobradores; paralisação de uma hora e meia afetou serviço nesta manhã

  • PorDiego Antonelli
  • 21/10/2015 07:42
 | Daniel Castellano / Gazeta do Povo/Arquivo
| Foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo/Arquivo

Cerca de dois mil motoristas e cobradores de transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana realizaram uma paralisação de uma hora e meia no início da manhã desta quarta-feira (21) para cobrar o pagamento do adiantamento salarial que deveria ter sido depositado no dia 20. “A maioria das empresas pagou, mas quatro não pagaram integralmente. Duas não pagaram nada, uma apenas metade e uma somente 8%”, relata o vice-presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Dino César de Mattos.

Durante o ato, que aconteceu por volta das 4 horas até as 5h30, foi realizada uma assembleia em que foi aprovado um indicativo de greve. “A paralisação, se ocorrer, deve ser realizada primeiramente pelos trabalhadores dessas empresas que não receberam o adiantamento”, informa Mattos.

Após o indicativo ser aprovado, os trabalhadores precisam esperar 72 horas caso planejem uma paralisação, que poderia ser iniciada a partir das 6 horas de sábado (24), o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Última greve durou quatro dias

Em janeiro de 2015, também por problemas de atraso de pagamentos, motoristas e cobradores pararam por quatro dias.

Leia a matéria completa.

“Vamos também entrar na Justiça para cobrar a multa definida em R$ 1 milhão quando houvesse atraso no pagamento e também com uma ação de danos morais coletivos”, diz o vice presidente do Sindimoc. Em fevereiro deste ano, uma decisão da desembargadora Ana Carolina Zaina, que presidiu a audiência de negociação salarial da data-base de motoristas e cobradores no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), determinou que o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) passaria a ser multado em R$ 1 milhão por dia de atraso no pagamento de obrigações trabalhistas.

Devido à paralisação da manhã, houve atraso na saída dos ônibus, prejudicando os usuários. A zona sul da capital foi a mais afetada, especialmente os bairros de Sítio Cercado, Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Pinheirinho, Boqueirão e também linhas que vão até Almirante Tamandaré. “Houve atraso já que os ônibus começam a circular as 5 horas. Assim que acabou a assembleia o trabalho foi retornado e a operação foi normalizada”, afirma o vice-presidente do Sindimoc. As empresas que atrasaram o adiantamento, segundo o sindicato, foram a Redentor, Sorriso, Araucária e Auto Viação Tamandaré. “As empresas estão fazendo um rodízio. Cada mês uma atrasa o pagamento do adiantamento”, ressalta Mattos.

Curitiba teve 2 mil roubos a ônibus em 2015, cinco vezes mais do que São Paulo

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O Setransp afirma que as empresas citadas pagaram apenas uma parte dos 40% devidos do adiantamento salarial a seus colaboradores. O sindicato, em nota, informa que as empresas farão esforço para pagar todo o adiantamento ainda nesta quarta. “O sistema de transporte, como exposto há tempos, segue em crise: nesta semana algumas empresas não conseguiram pagar o vale na sua totalidade; na passada, uma das empresas teve veículos apreendidos. Existe a expectativa de que as conversas entre as empresas e Urbs, com a mediação do Ministério Público, possam pacificar o sistema”, informa o Setransp.

A Urbanização de Curitiba (Urbs) informa que está rigorosamente em dia com os repasses às empresas, o que inclui as quatro que sofreram paralisação na manhã desta quarta (21). “A Urbs já estuda medidas administrativas e judiciais cabíveis em função de o serviço do transporte coletivo ter sido prejudicado”, informa em nota.

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