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| Foto: Antonio More/Gazeta do Povo

O curitibano anda todo prosa. Pesquisa realizada pela Paraná Pesquisas revelou que 65,8% dos curitibanos têm orgulho do gentílico. Seis meses atrás, no entanto, a capital não estava com essa bola toda – na ocasião, pesquisa semelhante mostrou que pouco mais da metade dos moradores de Curitiba sentiam orgulho de viver na cidade.

Na avaliação de Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas, a diferença se deve aos episódios negativos que, no primeiro semestre, colocaram Curitiba sob holofotes nacionais e afetaram a percepção sobre a cidade – caso da “Batalha do Centro Cívico”, em que professores em greve foram agredidos por policiais militares, e das medidas de austeridade que atingiram a Paraná Previdência.

Olhar de forasteiro

Em julho de 2006, um levantamento semelhante encomendado pela Gazeta do Povo com pessoas que vieram de fora de Curitiba. A palavra que melhor definia o morador local na ocasião era “fechado”, segundo 55,7% dos entrevistados. Outros 18,8% achava o curitibano conservador; para 17,4%, era arrogante. Mas 16,3% disseram simpático. Os “forasteiros” gostavam da cidade, e deram nota de 8,6 para Curitiba. Os curitibanos, porém, receberam apenas 6,6.

Se fosse para apostar, Hidalgo diria que a guinada do orgulho curitibano se deve especialmente a um paranaense – Sergio Moro, o juiz federal à frente da Operação Lava Jato. A evolução das investigações de corrupção na Petrobras e a nomeação de Luiz Edson Fachin para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) também teriam elevado a estima por ser curitibano.

Orgulhoso, sim; esnobe, também

Não é de hoje que o curitibano carrega a pecha de metido e antipático – topetudo, alguns diriam. E, ao que parece, está longe de superar a alcunha: segundo a pesquisa, a percepção de que o curitibano é esnobe aumentou para 47,9% (seis meses atrás, esse percentual foi de 44,8%).

Para o antropólogo Ozanam Aparecido de Souza, trata-se de um mito. “A ideia do curitibano esnobe e antipático é datada. Tem origem na imigração eslava no Paraná. O imigrante do século XIX era desconfiado, tinha um círculo de relações restrito e fundou o mito. Mas já há muitas gerações o perfil dos nascidos em Curitiba mudou, até pelos fluxos migratórios de outras regiões do Brasil. Acho que a pergunta a se fazer é por que esse estereótipo persiste no imaginário curitibano.”

E o curitibano, o que é?

Seja em resposta à crise econômica que o país enfrenta, seja porque Curitiba está se tornando polo de empreendedorismo e startups, a pesquisa apurou que para 64,6% dos entrevistados o curitibano está mais trabalhador do que há cinco anos (60%). O levantamento mostrou ainda que de lá para cá o curitibano ficou mais festeiro (61%) e receptivo (58,2%), porém, menos vaidoso e simpático.

Já Hidalgo atribuí a fama ao estranhamento inicial de pessoas que vieram de outros lugares para viver em Curitiba.

“O curitibano é mais reservado e introspectivo, mas isso não significa que seja esnobe. Só que muitas pessoas que vêm de fora estranham esse comportamento e aí se cria essa fama”, argumenta, recordando de um vizinho vindo da Bahia que, certa vez, provocou dizendo que Hidalgo não tinha ido lhe dar as boas-vindas. “Eu disse ‘Mas você também não veio dar um alô’. Mas claro que entre um curitibano e um baiano, o esnobe será o primeiro”, brinca.

Estressado

O levantamento mostrou que o estresse acomete 91% dos curitibanos. Nada muito surpreendente visto que o sentimento pode ser explicado por uma série de dificuldades cotidianas, que vão desde o trânsito congestionado, passando pela morosidade da Justiça até a economiza nacional fragilizada.

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“O estresse não é exclusividade do curitibano; o brasileiro de modo geral está mais preocupado. Tem a ver com uma conjuntura política e econômica que não permite perspectivas muito animadoras”, explica Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas.

Moderno

A pesquisa também revelou que o curitibano se percebe mais moderno do que há cinco anos. Apesar de a Capital ter fama de inovadora, essa percepção não se deve aos avanços e melhorias da cidade, mas sim à incorporação de tecnologias no dia-a-dia. “O mundo está mais automatizado, as pessoas estão conectadas e mais modernas e isso é perceptível em todas as classes socioeconômicas”, explica Hidalgo.

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