• Carregando...

Três dos quatro delegados envolvidos nas denúncias de um esquema de corrupção instalado dentro da Delegacia de Furtos de Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba serão afastados de seus cargos ainda nesta terça-feira (20) pelo Conselho da Polícia Civil. O outro delegado denunciado, Luis Carlos de Oliveira, ex-chefe da Divisão de Crimes contra o Patrimônio (DCCP), já havia sido retirado de suas funções pela instituição.

A informação foi adiantada pelo delegado-geral Riad Farhat, chefe da Polícia Civil do Paraná, durante entrevista coletiva concedida pela manhã. Os 16 policiais civis que são acusados de integrar a rede de corrupção também serão afastados.

"Eles [os delegados e policiais denunciados] serão afastados temporariamente até que as provas apresentadas sejam analisadas pela corporação", anunciou Farhat. "Se não tiver provas, vamos colocá-los em outras delegacias", completou. Os afastamentos devem ser formalizados em reunião do Conselho da Polícia Civil, que ocorrerá ainda nesta tarde.

O único delegado que já havia sido retirado de suas funções é Luis Carlos Oliveira, apontado pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como o idealizador da quadrilha. Segundo as investigações, ele indicava para trabalhar na DFRV apenas delegados que aderissem ao esquema, que consistia na cobrança de propina de donos de lojas de peças automotivas usadas. Questionado, Farhat avaliou que os indícios são mais fortes contra Oliveira.

"Acredito que sim [que as provas sejam mais consistentes em relação a Oliveira]. O afastamento dele foi uma decisão anterior. Então, se o Conselho da Polícia Civil tomou esta decisão, é porque algum motivo houve", disse. Desde então, Oliveira cumpre expediente administrativo na Secretaria Executiva da Polícia Civil.

Outros delegados

Os outros delegados denunciados são Marco Antonio de Góes Alves (titular do 10º Distrito Policial), Anderson Ormeni Franco (delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas), e Gerson Alves Machado (titular da Delegacia de Quatro Barras). Segundo Fahrat, os delegados e os policiais acusados de integrar a rede de corrupção vão cumprir funções administrativas, em departamentos ainda não definidos.

"Simplesmente afastá-los, seria um prêmio. Então eles vão cumprir funções administrativas, cumprindo horário e expediente", resumiu o delegado-geral.

Além de denunciar o esquema, o Gaeco havia pedido à Justiça o afastamento dos acusados. O pedido ainda não foi avaliado.

Perguntado se reconhece que uma quadrilha operava a partir da DFRV, Fahrat se esquivou, argumentando que ainda não analisou todos os elementos da denúncia oferecida pelo Gaeco. "Eu ainda não pude analisar [as provas]. Seria leviano eu falar qualquer coisa neste sentido, sem ter analisado", disse.

Reestruturação da Polícia Civil

O delegado-geral Riad Fahrat reconheceu que Polícia Civil passa por uma crise e que entende que é necessário que a instituição passe por uma reestruturação. Neste processo, ele entende que seja preciso "repensar atitudes e técnicas de investigação" aplicadas pelos policiais e delegados. "Temos que reestruturar, trazer mais técnica, profissionalização, melhor os índices [criminais] e trazer mais segurança à população", avaliou.

Parte deste processo deve começar nas próximas semanas, com a implantação de uma Divisão de Homicídios, que consistiria na ampliação e setorização da Delegacia de Homicídios. O projeto da nova divisão já está nas mãos do governador Beto Richa (PSDB) para análise. A unidade terá competência, inicialmente, para atender todos os casos de mortes violentas na capital e região metropolitana, mas com poder para avocar investigações do interior. Posteriormente, o trabalho será expandido a outras regiões do estado.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]