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O promotor que investiga as mortes de pessoas ligadas ao Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) afirma que dez pessoas estão ameaçadas de morte. Segundo o Ministério Público, desde 2003, 13 pessoas ligadas à direção do sindicato foram assassinadas.

"Nós temos aí, na acepção da palavra, crime organizado. Essas pessoas têm sido ameaçadas e assassinadas de forma brutal por uma briga disputada a bala por dinheiro e poder. Neste momento, todas as hipóteses são investigadas", disse o promotor Roberto Porto.

Será enterrado neste domingo (14) o corpo de José Carlos da Silva, de 50 anos, diretor de base do sindicato e segunda vítima fatal em 20 dias. Ele foi morto com cinco tiros na noite de sexta-feira (12) no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo.

No fim de outubro, Sérgio Augusto Ramos, também diretor de base do sindicato, sofreu uma emboscada na porta de uma garagem na Zona Sul. Ninguém foi preso.

"Só podemos relacionar isso a uma triste coincidência e à violência. A cidade de São Paulo é violentíssima", disse o coordenador de comunicação do sindicato, Nailton Francisco de Souza.

Colegas de trabalho de José Carlos da Silva acreditam que seu assassinato tenha relação com disputas internas da categoria. "O sistema de transporte urbano tem interesses muito grandes, de pessoas de fora que querem entrar a qualquer preço, qualquer custo, então é difícil", afirmou o motorista Augusto Costa.

Por causa da morte de Silva, funcionários da Viação Sambaíba, onde Silva trabalhava, fizeram greve neste sábado (13). Os 155 ônibus não foram para as ruas. "Nós temos que parar, é um representante nosso, e a gente tem que ter um respeito muito grande por um pessoa tão importante quanto ele foi para a gente", disse o motorista Marcos Santana.

Silva estava dentro de seu carro em frente a uma padaria quando foi abordado por dois homens em uma moto. Segundo testemunhas, o garupa da motocicleta efetuou os disparos. O sindicalista chegou a ser levado para o Hospital Municipal Cachoeirinha, onde morreu.

As características do crime são muito parecidas com a de Ramos. Em outubro, dois homens chegaram de moto e dispararam seis vezes contra ele, que havia acusado a direção do sindicato de corrupção e deixou um vídeo gravado denunciando ameaças.

A polícia ainda não tem pistas dos criminosos. Silva era casado e tinha dois filhos adolescentes.

Devido à paralisação, a São Paulo Transporte (SPTrans) acionou o Plano de Apoio Entre Empresas Frente a Situações de Emergência (Paese) – 66 ônibus foram colocados nas ruas para cobrir as linhas fora de operação. Não há previsão para o fim da manifestação.

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