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Movimentação de policiais era grande no fim da tarde deste domingo (19) na Penitenciária Estadual de Maringá | Sindarspen / Divulgação
Movimentação de policiais era grande no fim da tarde deste domingo (19) na Penitenciária Estadual de Maringá| Foto: Sindarspen / Divulgação
  • Cerca de 30 presos participam do motim e mantêm dois agentes penitenciários como reféns em Maringá

Dois agentes penitenciários são mantidos reféns por 30 presos desde às 17h30 deste domingo (19), em uma galeria da Penitenciária Estadual de Maringá, Noroeste do Paraná. Os detentos exigem a realização de transferências para outros presídios. Esta é a 22ª rebelião do ano no estado.

A rebelião teve início após o período de visitas, quando os presos retornavam às celas. Detentos e agentes penitenciários entraram em luta corporal. Dois agentes foram mantidos reféns. Alguns dos que conseguiram escapar tiveram perfurações nas mãos, causadas por estoques que estavam com os presos, segundo o agente e diretor sindical, Vilson Brasil. No momento, havia 10 agentes na galeria. Brasil diz que a situação agora é estável e as negociações estão em andamento. Quando souberam da rebelião, alguns agentes que estavam de folga foram reforçar a segurança na penitenciária. "É uma rebelião atrás da outra em penitenciárias que não têm motivo", diz. Para os agentes, as rebeliões têm origem na falta de gestão do sistema penitenciário.

A galeria onde ocorre o motim tem cerca de 60 presos. A capacidade total do presídio é de 374. Atualmente, o estabelecimento possui 400 presidiários. Os números são do site do governo do estado de transparência carcerária.

O diretor-geral do Departamento de Execuções Penais do Paraná (Depen), Cezinando Paredes, disse, às 20h30, que estava a caminho da penitenciária. Ele disse que deveria chegar ao local dentro de três horas (23h30) para ajudar nas negociações.

Segundo ele, o motim é realizado por presos de apenas uma galeria, que renderam dois funcionários. A unidade já está isolada internamente. A princípio, pedem remoção para outras unidades. O Bope também foi enviado ao local.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, disse em entrevista que o motim começou no final da visita do fim de semana. Ele relatou que representantes do sindicato estão no local acompanhando as negociações.

A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos relatou, via assessoria, que as informações sobre o motim serão divulgadas pelo Depen.

Richa anunciou medidas na última semana

O governo do Paraná anunciou nesta sexta-feira (17) cinco medidas a serem tomadas para a prevenção de rebeliões no Sistema Penitenciário do Paraná. A informação foi divulgada por meio da página no Facebook do governador Beto Richa. As ações devem ser executadas pelas secretarias de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) e da Segurança Pública (Sesp).

As investigações policiais e administrativas sobre os motivos das rebeliões, bem como os responsáveis por elas devem ser encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Paraná (MP), para investigação. Richa destacou o "possível envolvimento de agentes públicos na articulação desses fatos" como um eixo investigativo.

A informação revoltou o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindarspen), Antony Johnson, que acredita que o governo tenta jogar para os agentes a culpa pelas rebeliões. Ele pondera, no entanto, que o sindicato é a favor da investigação dos responsáveis.

Sindicato tem protesto marcado

O Sindarpen anunciou que vai realizar um protesto estadual, em Curitiba, no dia 22 de outubro, às 9 horas, em frente ao Palácio Iguaçu. A manifestação será "contra a atual maneira que vem sendo administrado o Sistema Penitenciário do Paraná." Em nota, em que divulga o evento, o sindicato diz que "algo deu errado e precisa ser revisto. Em 10 meses com essa de Maringá são 22 Rebeliões e 45 agentes reféns." O documento também cita que o ato será para "pedir por mais segurança para trabalhar."

Rebelião em Guarapuava é a 22ª do ano; veja lista das outras 21

5 de janeiro de 2014 - Dezoito presos se amotinaram na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara. Durante uma hora eles negociaram transferência para o interior do estado. Um agente foi mantido refém pelos presos.

09 de janeiro de 2014 - Um agente penitenciário foi mantido refém por presos da Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), na Região Metropolitana de Curitiba. Os presos pediam transferência para penitenciárias de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

15 de janeiro de 2014 - Após três horas de motim, presas do Centro de Regime Semiaberto Feminino (Craf) de Curitiba libertaram duas agentes penitenciárias que foram feitas reféns. As detentas pediam melhorias em higiene e limpeza, além de tratamento semelhante ao que ocorre na Colônia Penal Agrícola (CPA), em Piraquara.

16 de janeiro de 2014 - Um agente penitenciário foi mantido refém durante 16 horas na PCE, em Piraquara. Os presos pediam transferências para Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.

10 de fevereiro de 2014 - Vinte e quatro presos, que pediam transferência para outros presídios do estado, mantiveram um agente penitenciário como refém na PEP II. O agente foi libertado após cinco horas de negociações.

06 de março de 2014 - Presos que reivindicavam transferências para Londrina e Francisco Beltrão mantiveram por 15 horas dois agentes penitenciários como reféns na PEP I. As negociações duraram poucas horas, mas os presos se recusaram a viajar de noite, o que fez com que o motim terminasse somente após 15 horas.

10 de março de 2014 - Na PEP II, durante quatro horas um agente penitenciário ficou nas mãos de seis presos que pediam transferências para Guarapuava. Os presos foram transferidos e o agente liberado após negociação.

19 de março de 2014 - Dois agentes carcerários que escoltavam presos foram dominados pelos detentos na PEP I. Os presos libertaram os agentes após conseguirem transferência para cidades de origem. Foram 15 horas de negociação.

19 de março de 2014 - Também na PEP I, durante uma hora um agente foi dominado por presos que pediram transferência para Maringá, no Noroeste do Paraná.

16 de abril de 2014 - No Presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, foram oito horas de negociação até que os detentos libertaram um agente penitenciário. Os motivos da rebelião não foram informados, mas o presídio sofre com falta de vagas.

01 de maio de 2014 - Em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, presos da Cadeia Pública do município se rebelaram e pediram transferência. Alguns deles foram colocados em liberdade, pois já haviam cumprido pena.

14 de julho de 2014 - Três agentes carcerários foram feitos reféns na cadeia pública de Telêmaco Borba. O motim durou cerca de 17 horas. Antes do motim, houve tentativa de fuga.

17 de julho de 2014 - Por 16 horas, presos da PEP II realizaram um motim. Quatro presos pediam transferência para Londrina. Um agente na penitenciária foi mantido sob domínio dos presos.

22 de julho de 2014 - Quatro presos se rebelaram e mantiveram um agente refém na PCE. Eles pediam transferência para outras unidades prisionais do Complexo Penitenciário de Piraquara (CCP).

22 de julho de 2014 - Na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu I (PEF I), no Oeste do Paraná, dois agentes foram mantidos sob domínio de dezesseis presos por seis horas. A exigência também era de transferência para outras unidades prisionais do estado.

24 de agosto - Na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), dois agentes penitenciários foram mantidos reféns por cerca de 45 horas. Cinco pessoas morreram no motim e outras 25 ficaram feridas no motim mais violento do Paraná dos últimos quatro anos.

9 de setembro - três agentes penitenciários foram mantidos como reféns por um grupo de 14 presos na cadeia pública de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná. Os detidos concordaram em liberar os funcionários da prisão depois de acertar a transferência de 74 presos para outras penitenciárias do estado. O motim terminou sem feridos nem mortos.

10 de setembro - 77 presos foram transferidos da Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste (PECO), no Noroeste do Paraná, depois de um motim de 18 horas. Foram 13 reféns, sendo 12 presos e um agente penitenciário.

12 de setembro - presos do bloco 3 da Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), na Região Metropolitana de Curitiba, mantiveram dois agentes penitenciários reféns por 25 horas. Após o acerto de transferências, agentes e presos que também eram mantidos reféns foram liberados e ninguém ficou ferido.

16 de setembro - um segundo motim ocorreu em um intervalo de menos de uma semana na Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II). Dois agentes penitenciários foram feitos reféns durante mais de 30 horas, período em que a rebelião perdurou. O principal motivo da revolta era o medo que os presos rebelados têm de detentos de uma facção rival. Ninguém ficou ferido.

13 de outubro - uma rebelião de mais 48 horas ocorreu na Penitenciária Estadual de Guarapuava (PIG), com 10 agentes reféns. Todo o complexo foi tomado pelos detentos, que subiram no telhado do prédio e chegaram a jogar alguns dos reféns da parte superior da PIG. Ninguém teve ferimentos graves e a rebelião chegou ao fim depois que transferências para parte dos presos foi acertada.

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