As empresas de lacticínios do Paraná Szurra, em Candói, no Centro-Sul, e Arbralat, em Toledo, no Oeste, receberam lotes de leite fora dos padrões adequados para consumo humano, afirmou nesta quinta-feira (30) o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santa Catarina, braço do Ministério Público do estado (MP-SC). Relatório que concluiu as investigações da Operação Leite Adulterado III aponta que estas empresas, além de outras três em São Paulo e uma no estado catarinense, compraram o produto de outras empresas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul que estão sendo investigadas por fraudarem a composição dos alimentos com a adição de produtos químicos.

De acordo com o Gaeco, os lotes adquiridos eram de leite cru in natura, usado na fabricação de outros alimentos derivados do leite, como iogurtes e queijos. As entidades privadas Danone, Shefa e Bell, de São Paulo, e Terra Viva/CooperOeste, de Santa Catarina, também teriam adquirido lotes do alimento adulterado.

Matéria publicada no jornal Diário Catarinense, do Grupo RBS, relata que o MP-SC afirmou que nenhuma destas empresas é investigada como integrante do esquema e que a adulteração do leite era tão precisa que a fraude não era detectada pelos testes exigidos pelo Ministério da Agricultura.

Ao todo, 16 pessoas foram presas preventivamente durante o período de investigação da operação. Com as provas colhidas, foram identificados dez empresas catarinenses e uma gaúcha na fraude, que inclui venda dos produtos químicos, transporte ou adulteração direta do leite nas propriedades rurais e distribuidoras investigadas.

O resultado das investigações deverá ser compartilhado com a Secretaria da Fazenda Estadual de Santa Catarina e também com os ministérios da Agricultura e da Justiça. A intenção é de que o próprio Ministério da Agricultura realize a rastreabilidade dos produtos para saber quais lotes foram usados para produzir quais produtos e para quais mercados.

O crime de adulteração do leite vem sendo investigado há seis meses pelo Gaeco de Santa Catarina, que já havia deflagrado as operações "Leite Adulterado I e II", em 19 de agosto.

Empresas se defendem

Em nota, a Danone Brasil afirmou que não recebeu notificação Ministério Publico referente à operação leite adulterado III. A Danone "destaca que já adota de forma sistemática medidas preventivas para possíveis fraudes do leite, para garantir a qualidade e a segurança alimentar de seus produtos. A Danone não está comprando leite das empresas agora citadas e reitera seu compromisso em oferecer aos consumidores produtos de qualidade, por meio da manutenção de rigorosos parâmetros de segurança alimentar e qualidade em toda sua cadeia produtiva; colocando-se à disposição para contribuir com as autoridades competentes nas investigações para coibir tais práticas", segundo a nota.

A empresa de lacticínios Arbralat, da G.O.P. Alimentos do Brasil, esclareceu, em nota, que ainda não foi notificada pelas autoridades responsáveis pela investigação. Mesmo assim, a empresa ressaltou que todos alimentos que produz "preenchem os requisitos e padrões de qualidade exigidos pelos órgãos de fiscalização". A nota diz ainda que G.O.P. Alimentos do Brasil Ltda não mais adquire leite da empresa envolvida na denúncia e que "não pactua com qualquer tipo de fraude ou adulteração do leite".

A empresa Szurra não foi localizada para comentar as informações do Ministério Público.

Já a empresa Terra Viva/CooperOeste disse que ainda não tem informações suficientes sobre o fato. Em nota divulgada em seu site, a empresa defende que todo o leite adquirido "passa por rigoroso controle de qualidade por meio de análises laboratoriais" e que qualquer irregularidade encontrara implica no descarte do produto.

Por telefone, o diretor da empresa, Aldo Posta, disse que foi informado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) de que o lote "estragado" enviado à empresa foi do dia 18 de julho de 2014. "Ela [funcionária] disse apenas que o leite estava pouco fora dos padrões. Não chegou a dizer que tinha sido adulterado", comentou.

A empresa Shefa não havia retornado até às 16h25. A empresa Bell não foi localizada.

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