Telhado  da Escola Sagrada Família foi destruído durante a apresentação de Dia das Crianças | Gisele Barão/Gazeta do Povo
Telhado da Escola Sagrada Família foi destruído durante a apresentação de Dia das Crianças| Foto: Gisele Barão/Gazeta do Povo

No Paraná, nenhuma cidade foi mais afetada pelas chuvas desta quinta e sexta-feira (9) do que Ipiranga, que fica a 58 quilômetros de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Por lá, 7.148 pessoas foram afetadas de alguma forma pela chuva e 1.780 casas foram danificadas e destelhadas pelo vento forte e granizo, de acordo com a Defesa Civil. O hospital da cidade registrou 30 casos de pessoas feridas, segundo a prefeitura. Duas mulheres se machucaram com mais gravidade: uma fraturou a bacia ao cair do telhado que tentava arrumar, e a outra quebrou o joelho.

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Os estragos se espalham por toda a cidade. A prefeitura e Defesa Civil local estão atendendo a população no Ginásio de Esportes Assis Fernandes, distribuindo lonas e fazendo cadastro das vítimas. Os moradores estão tendo dificuldades para encontrar telhas na cidade. Alguns precisam buscá-las em Ponta Grossa.

Nesta sexta, choveu pouco na cidade, mas ainda são necessárias doações de cobertores, colchões, roupas, material de limpeza e alimentos. As doações estão sendo recolhidas em um barracão no bairro Ulisses Guimarães

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Lonas e telhas

Os telhados de hospitais, igrejas e escolas ficaram danificados. Na Escola Sagrada Família, que tem cerca de 300 alunos, as aulas foram suspensas nesta sexta-feira. Durante a chuva na tarde de quinta (8), aproximadamente 100 alunos participavam de uma apresentação de Dia das Crianças quando a quadra onde estavam foi atingida pelo granizo. Ninguém se feriu, mas todos tiveram de se esconder no palco. A escola teve 300 telhas danificadas.

Na manhã desta sexta, professores foram ajudar a limpar o local. “Não tinha condições de ter aula, as salas ficaram alagadas”, disse a diretora, irmã Maria José Oliveira. A diretora do Colégio Sagrada Família, em Ponta Grossa, esteve na unidade de Ipiranga pela manhã e retornaria à tarde com telhas para cobrir a escola. A Igreja Imaculada Conceição também ficou com o telhado destruído.

A moradora Nilce Dalazoana, que vive em Ipiranga há 60 anos, disse que essa foi a primeira vez que viu uma chuva de granizo tão forte. A chuva começou por volta das 16 horas e durou cerca de 20 minutos, com cinco minutos de granizo. Ela se escondeu na sala no momento da chuva. “Fui dormir na casa da minha filha, aqui não dava”, contou. A casa ficou destelhada. Colchões e móveis foram perdidos. Hoje, o filho que mora em Ponta Grossa trouxe telhas.

Lonas foram improvisadas no lugar dos telhados quebrados na quinta-feira: ainda é difícil comprar telhas na cidadeGisele Barão/Gazeta do Povo

Patrícia Jansen, proprietária de uma loja de materiais de construção em Ipiranga, também teve prejuízo. “Quebraram telhas, vidros. Cobrimos a mercadoria com lonas. Os funcionários estão ajudando a limpar”, conta. Mesmo com os estragos, ela manteve a loja aberta e já havia vendido duas mil telhas até o início da tarde.

A aposentada Jorilda Borgo gastou R$ 2.300 em telhas para sua casa. No momento da chuva, ela estava em casa com a sobrinha, e as duas precisaram se esconder. “Ontem tinha fila na loja de material de construção. Cobrimos a cama com plástico para dormir. Moro aqui há um ano, nunca tinha visto isso”, conta.

Com o telhado da casa destruído pelo granizo, a dona de casa Lucimara Correia e o marido tiveram que dormir dentro do caminhão do casal. Uma árvore também caiu sobre a garagem. “Eu estava sozinha em casa, foi um susto, um prejuízo, tivemos que improvisar com lonas”, diz.

Sem luz

O Hospital Municipal de Ipiranga sofreu com a falta de energia elétrica. O centro cirúrgico foi interditado. Na quinta, por causa da chuva, a equipe médica deu alta para alguns pacientes que estavam em condições de voltar para casa. Outros foram transferidos para unidades de saúde em Ponta Grossa. De acordo com a médica Paola Gentili, nem metade dos funcionários do hospital foi trabalhar nesta sexta, pois também estavam reconstruindo suas casas. Ainda não há previsão para o hospital voltar a funcionar normalmente.

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