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centro cívico 60 anos

Entre improvisos e polêmicas

  • Rafael Waltrick
 
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A construção do Centro Cívico, no início da década de 1950, foi marcada por vários atos improvisados e discussões acirradas entre os defensores e opositores da obra. Veja algumas das histórias que ganharam repercussão na época e nos anos seguintes:

Uma ajudinha dos bombeiros

O Palácio Iguaçu deveria ser concluído em dezembro de 1953, a tempo do centenário de emancipação do Paraná. Foi inaugurado somente um ano depois, no dia 19 de dezembro, com a presença do presidente João Café Filho, em sua primeira visita ao estado. No entanto, três dias antes do ato inaugural, o interior do prédio ainda estava repleto de andaimes, latas de tinta, entulhos e escadas. Como os operários já haviam deixado o local, a primeira dama do estado, Flora Camargo Munhoz da Rocha, pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros para limpar o palácio. Os bombeiros aceitaram prontamente o pedido e mandaram um pelotão inteiro para a faxina, que foi concluída rapidamente.

Um casal em crise

Hoje, muitos curitibanos conhecem as duas estátuas de Humberto Cozzo na praça 19 de Dezembro, no início da Avenida Cândido de Abreu, como “o Homem e a Mulher Nua”. No entanto, as esculturas não foram concebidas para serem um casal – a desproporção entre as obras é visível – e tampouco deveriam estar na Praça 19. A escultura da mulher, que representa a Justiça, foi criada para ser instalada em frente ao Tribunal do Júri. Porém, como era pouco convencional, foi relegada por quase duas décadas aos fundos do Palácio Iguaçu, sendo levada para a praça em 1972. Já o chamado “Homem Nu”, que simboliza a grandeza do Paraná, deveria ter sido instalado em frente ao Palácio Iguaçu. Como nas comemorações do centenário de emancipação do estado, em dezembro de 1953, o palácio não estava pronto, optou-se por levar a escultura para o espaço que seria, então, chamado de Praça 19 de Dezembro.

Críticas e elogios

No início da década de 1950, as obras do Centro Cívico eram tema de discussões acirradas na imprensa, na classe política e entre a população. Era comum a visita de estudantes de Engenharia de diversas universidades do Brasil, tamanha a repercussão do projeto. Havia inclusive um livro de assinaturas no terreno das obras, onde visitantes ilustres podiam deixar depoimentos, a grande parte elogiosos – que depois eram divulgados na imprensa e comemorados pelo governo estadual. Por outro lado, parte da imprensa e dos paranaenses criticavam a suntuosidade das obras, chamadas de “palácios da elite”. Na edição do dia 31 de outubro de 1951, a Gazeta do Povo estampava em sua manchete, em letras garrafais, “CURITIBA DISPENSA OS PALÁCIOS!”.

Uma cidade em obras

Os primeiros serviços de terraplanagem no terreno que receberia o Centro Cívico começaram em junho de 1951. Nos anos seguintes, estima-se que, em média, 500 operários atuavam nas obras dos prédios. Para controlar o consumo dos materiais, folha de pagamento, utilização das máquinas e cronograma das obras, a Comissão Especial das Obras do Centenário (CEOC) utiliza um serviço de holerite mecanizado da IBM. Os trabalhadores tinham direito a um programa de assistência social que abrangia, entre outros benefícios, serviço médico e dentário, escola para alfabetização de adultos e até entradas para os cinemas. A comissão também era responsável por outras obras do marco do centenário de emancipação do Paraná, como a construção do Teatro Guaíra, da Biblioteca Pública do Paraná e do Grupo Escolar Tiradentes.

Fonte: arquitetos Irã Dudeque e Josilena Gonçalves, historiador Jair Elias Júnior, Secretaria de Estado da Cultura e Redação.

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