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Entre o sonho de ser mãe e o pesadelo do zika

Falta de respostas sobre ação do vírus transmitido pelo Aedes aegypti e que está relacionado ao surto de microcefalia no Nordeste do país é o que causa mais insegurança

  • PorCaroline Olinda
  • 26/02/2016 22:35
 | Antônio More / Gazeta do Povo
| Foto: Antônio More / Gazeta do Povo

Pergunte a qualquer mulher que já ficou grávida que ela vai confirmar: junto com o resultado positivo, vem uma pacote de incertezas – ainda mais quando se trata da primeira gestação. Em tempos de zika e a provável ligação do vírus com o surto de microcefalia vivido em estados do Nordeste, esse pacote só fez aumentar. As pesquisas até o momento mais trazem dúvidas que respostas. E a sensação de insegurança toma conta das gestantes.

Falta de respostas faz casais adiarem planos de gravidez

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Na 24.ª semana de gestação dos gêmeos Caio e Lucca, a professora de educação física Mayara Bially tem acompanhado as incertezas do zika desde o começo. Ela descobriu que estava grávida poucas semanas antes de o Ministério da Saúde anunciar que o país estava em uma emergência sanitária devido ao aumento no número de casos de bebês com microcefalia, provavelmente relacionado ao flavivírus.

“Já no começo da gestação a minha médica me alertou sobre a questão do zika. Mas naquele momento, era algo distante, que só estava ocorrendo no Nordeste. Com o passar dos meses, fomos vendo notícias da doença aqui no estado e a preocupação aumentou”, conta. O uso constante do repelente e o cancelamento de planos de viagem para o litoral entraram na lista de cuidados.

O marido de Mayara segue as mesmas recomendações. Como há suspeita de transmissão sexual do vírus e pesquisadores já detectaram a presença do zika na saliva e na urina, Anderson Lima redobrou os cuidados para evitar o mosquito. O repelente passou a ser item indispensável e uns dias no litoral, um plano para o verão do ano que vem. “O mais difícil disso tudo é não ter nenhuma certeza. Por ser uma doença nova, nem os médicos sabem exatamente tudo que devemos fazer para nos proteger”, lamenta Mayara.

O afeto que mata mosquitos

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As incertezas trazidas pelo zika também atormentam a engenheira civil Júlia da Costa Fortes. Decidida a engravidar neste ano, ela chegou a repensar a decisão quando as notícias sobre o perigo do novo vírus passou a ser noticiado. Resolveu manter os planos depois do resultado negativo do exame de sangue que, ela tinha certeza, confirmaria uma gestação. “Fiquei muito triste com o negativo. Então, vi que quero muito um bebê agora. Por isso, resolvi continuar tentando engravidar.”

Manter os planos de engravidar exigiu mudanças na rotina. Assim como para Mayara, o repelente passou a ser item indispensável e as viagens ao litoral do Paraná foram suspensas. Os cuidados com a casa foram redobrados. “Fizemos um mutirão na minha casa e na da minha mãe para retirar os possíveis focos do mosquito”, conta Júlia, que já é mãe de um menino de dois anos.

Microcefalia

Até o momento, o Paraná não tem nenhum registro de microcefalia relacionada ao zika vírus. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde, há dois casos em investigação do estado e outras 15 situações suspeitas já foram descartadas.

Recomendações

Diferente de governos de outros países que vivem surto de zika, o Ministério da Saúde não recomendou às mulheres que adiem os planos de gestação. Para quem está grávida ou tentando uma gestação, a orientação além de usar repelentes e evitar áreas com casos endêmicos de zika e dengue, é vestir calças e camisas de cor clara e colocar telas em portas e janelas para reduzir o risco de ser picado por mosquitos.

Paraná

No Paraná, o número de casos de zika é crescente, mas o estado ainda não vive uma situação de epidemia. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta semana, já são 32 casos autóctones de zika no estado. Só em Paranaguá, cidade que vive uma epidemia de dengue neste verão, há 6 casos locais confirmados.

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