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Campos Gerais

Estudo mostra presença de radiação em formação rochosa

Emissões do Granito Serra Carambeí estão um pouco acima dos índices considerados normais. Situação não é preocupante, mas exige atenção

  • Derek Kubaski, especial para a Gazeta do Povo
Luiz Godoy constatou que em alguns locais a Dose Anual de Radiação é de dois milisieverts, o dobro do recomendado |
Luiz Godoy constatou que em alguns locais a Dose Anual de Radiação é de dois milisieverts, o dobro do recomendado
 
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Tudo o que a região da mar­­gem leste da represa de Alagados, entre Ponta Grossa e Carambeí (Campos Gerais), tem de bonito, também tem de peculiar. O Granito Serra Carambeí, formação com mais de 500 milhões de anos, aflora na terra em vários pontos. Como qualquer outro granito, ele emite uma radiação natural, mas os níveis estão um pouco acima dos índices considerados normais. Essa foi a conclusão de um estudo realizado na região pelo geólogo Luiz Carlos Godoy, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Ele se dedicou ao estudo da área por aproximadamente três anos e, com esse trabalho, obteve o título de doutor em Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2010. A pesquisa constatou a presença, na rocha, de radionuclídeos (partículas que emitem radiação) dos seguintes elementos químicos: Urânio (U), Tório (Th) e Potássio (K). A unidade que mede a intensidade da radiação é o Sievert (Sv), cuja milésima parte é o milisievert (mSv).

O estudo mostrou que, em alguns locais, a Dose Anual de Radiação (DAR) emitida pela rocha é de dois milisieverts por ano (ou 2 mSv/ano). O limite recomendado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN – autarquia vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia) para a exposição contínua – sem intervalos – do corpo humano é a metade: 1mSv/ano.

Apesar da constatação de níveis de radiação acima do recomendado, Godoy afirma que não há nenhum motivo para alarme. “É um processo natural e que faz parte da decomposição da rocha. Precisamos, neste momento, aprimorar os estudos. No trabalho que desenvolvi nessa área, analisei cerca de 60 amostras de rocha, solo e outras 16 de água. Porém, para conseguir resultados mais consistentes, o ideal seria analisar, no mínimo, 500 amostras”, ressalta.

Sem alardes

O radioterapeuta Hum­berto Guerzoni compartilha da opinião do professor. Segundo o médico, o problema existe a partir da exposição continuada à radiação, que pode favorecer o aparecimento de algum tipo de câncer. “Se a exposição não for frequente, como é o caso da região desse estudo, o limite de radiação aceitável é de até 5mSv/ano, ou seja, cinco vezes maior que o limite da exposição contínua do corpo humano. Não vejo motivo nenhum para a população se alarmar.”

Godoy explica que a intensidade da exposição depende, também, da ventilação. “Neste local, nós estamos ao ar livre. Nós teríamos problemas se estivéssemos, por exemplo, numa adega ou numa garagem sem janelas e cujas paredes fossem feitas apenas deste granito. Não dele todo, apenas das partes onde foram identificados os maiores níveis. O risco, nesse caso, seria a formação do gás radônio, que se origina do decaimento [emissão de radiação] do urânio. Esse gás pode contribuir para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Mesmo assim, a exposição teria de ser frequente e longa, por alguns anos”, explica. Guerzoni lembra que o radônio é um gás sem cor e sem cheiro, o que torna difícil a detecção da sua presença no ambiente.

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