i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
tecnologia

Falta de conexão à internet exclui população no Paraná

Falta de cobertura de sinal e pouco interesse de provedores impedem a implantação de cidades inteligentes no estado

  • PorRosana Felix
  • 24/10/2015 14:00
Algumas escolas de Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba, não tem acesso à internet. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Algumas escolas de Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba, não tem acesso à internet.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Diretoras de escola que não podem responder um e-mail aos pais, postos de saúde sem conexão, localidades rurais que não contam com posto dos Correios porque não há sinal de internet. Essa realidade não é de um rincão escondido do país, mas do município de Contenda, que fica na Região Metropolitana de Curitiba, a 46 quilômetros da capital, e se repete por todo o Paraná. Falta de cobertura de sinal ou baixa qualidade, serviços caros e pouco interesse de provedores locais são alguns dos problemas que têm impedido a difusão da tecnologia e a implantação de cidades inteligentes.

Em Contenda há apenas uma operadora de telefonia, Oi, que não atende todo o território. Segundo o diretor de Tecnologia de Informação da prefeitura municipal, João Francisco da Silva, mesmo onde há sinal, é muito fraco. Para não deixar a cidade no apagão digital, a prefeitura adquiriu um link da Copel Telecom, de 30 megabits por segundo (Mbps), ao custo de R$ 4,2 mil ao mês. Para ter acesso ao wi-fi gratuito, o cidadão precisa adquirir uma antena digital.

Projeto para ofertar internet nos 399 municípios do Paraná está sendo reformulado

O projeto Rede 399, criado em 2013 pelo governo estadual com o objetivo de proporcionar conexão à internet em todos os municípios paranaenses, está sendo reformulado.

Leia a matéria completa

“Mesmo assim nem todo o território está coberto no momento. Das oito antenas repetidoras do sinal gratuito, seis estão queimadas, serão consertadas logo, estamos em licitação”, diz Silva. Para manter o sistema funcionando, são cerca de R$ 10 mil mensais. “As pessoas reclamam, mas na verdade a própria prefeitura sente na pele o problema. Estamos negociando com parceiros para ver se conseguimos trazer uma operadora menor, já que as grandes não têm interesse em investir aqui”, acrescenta.

Projeto federal de banda larga naufragou

O Projeto Nacional de Banda Larga (PNBL), criado em 2010, pretendia levar o acesso à internet a 35 milhões de residências pelo custo de R$ 35, com conexão de 1 Mbps até o fim de 2014.

Leia a matéria completa

De acordo com os mais recentes dados do IBGE, referentes a 2014, 77 municípios do Paraná oferecem acesso ao wi-fi gratuito. O crescimento em relação a 2012 foi de apenas 35%, contra 85% em todo o Brasil. “O problema é muito básico ainda. Queremos explorar todas as potencialidades das cidades digitais, mas nem adianta falar disso se não há o essencial, que é a conectividade”, diz José Marinho, diretor da Rede Cidade Digital.

A falta de conexão é cada vez mais grave e prejudicial ao cidadão, pondera Marinho. “Antes costumávamos falar das pessoas excluídas digitalmente por falta de acesso. Mas hoje, na verdade, quem não tem internet fica excluída socialmente, em vários aspectos”, afirma.

A situação narrada em Contenda exemplifica bem isso: algumas escolas e postos de saúde, mesmo na área central, não tem acesso à internet, atrapalhando os projetos de ensino e o acompanhamento da ficha dos pacientes. “O bairro de Catanduvas do Sul não tem posto dos Correios por isso. As pessoas precisam vir até o centro para usar o serviço”, relata o diretor de TI do município.

COPEL TELECOM

Segundo a Copel, o produto utilizado pela prefeitura de Contenda é um link direto, com garantia de entrega de 100% do pacote contratado, e por isso o serviço é mais caro do que o do consumidor residencial.

Custos

Mesmo precário, o serviço prestado pela prefeitura de Contenda é um benefício raro no Paraná. “Todos nós gostaríamos de ter internet e fornecer gratuitamente, mas o cabeamento envolve uma logística e um custo com o qual muitas municipalidades não podem arcar”, diz o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Micheletto. Segundo ele, os governos estadual e federal já abriram projetos na área para levar internet ao interior, mas as contrapartidas e manutenção do sistema sempre se mostram mais caros do que na proposta original. “No papel os projetos são ótimos, mas na prática não é bem assim.”

Wifi grátis em lugares públicos de Curitiba; veja como acessar

Os principais parques da cidade oferecem conexão gratuita à internet via wifi. Para isso, basta um simples cadastro.

+ VÍDEOS

Organização quer fomentar uso de tecnologia

Para orientar os gestores públicos sobre os benefícios e dos caminhos para superar as barreiras para implantação tecnológica, a organização Rede Cidade Digital organiza encontros regionais e o Congresso Paranaense de Cidades Digitais, que terá sua terceira edição nos dias 19 e 20 de novembro, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

“A difusão do sinal de internet é fundamental para o desenvolvimento dos municípios. Um município que faz todo o esforço para criar um parque industrial, por exemplo, nem consegue atrair indústrias porque na área não tem sinal de internet”, diz José Marinho, diretor da Rede Cidade Digital.

A Rede Cidade Digital incentiva as prefeituras a criarem redes próprias, interligando as várias secretarias e órgãos. “Não estamos nem falando de internet gratuita, mas de possibilidades de o cidadão acompanhar a vida escolar dos filhos ou imprimir o boleto de IPTU”, explica Marinho.

Lei da Transparência

Segundo José Marinho, da Rede Cidade Digital, a Lei da Transparência, que obrigou todas as prefeituras a manter páginas de internet desde 2013, muitas vezes é inócua. “De que adianta ter toda a informação se o cidadão não tem meios de acompanhar?”, pondera.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.