Amigos e parentes se despedem da corretora assassinada no Bigorrilho | Marcelo Andrade/Agência de Notícias Gazeta do Povo
Amigos e parentes se despedem da corretora assassinada no Bigorrilho| Foto: Marcelo Andrade/Agência de Notícias Gazeta do Povo

Latrocínios são comuns na capital

O latrocínio não é uma situação incomum em Curitiba. Desde 2012, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) relativas ao primeiro semestre de cada ano, foram registrados 36 casos de assaltos seguidos de mortes.

Os números a cada ano mostram estabilidade. No primeiro semestre de 2012 foram 13 casos, seguidos de 12 ocorrências em 2013 e outras 11 no primeiro semestre de 2014.

Alguns casos ocorridos na capital chamaram atenção em 2014. Um dos mais recentes ocorreu no Prado Velho, em que um estudante do Instituto de Ensino Técnico da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (TecPuc) foi morto a facadas por um suspeito na Rua Conselheiro Laurindo, perto do Teatro Paiol. Ele tentou proteger a namorada e uma amiga da ação do homem, que o enfrentou e o golpeou na altura do peito. A Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) já identificou o suspeito e trabalha para encontrá-lo.

Outro caso, ocorrido no bairro Capão da Imbuia, envolveu a morte de uma idosa de 73 anos no mês de julho deste ano. Ela foi encontrada morta e amarrada dentro do apartamento em que morava. Joias e outros pertences pessoais foram levados do local, além de um automóvel. O caso ainda é investigado pela DFR.

Na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), um homem de 58 anos morreu durante um assalto a empresa em que trabalhava. O crime ocorreu no início de maio. Vinte funcionários foram feitos reféns e, durante ameaças feitas a proprietária da empresa, o homem tentou defendê-la e acabou morto pelos assaltantes. Um suspeito foi preso e outro ainda é procurado pela polícia.

Em uma tentativa de latrocínio, um policial civil que saia do trabalho foi gravemente ferido por suspeitos no bairro Hauer. O policial foi abordado por dois indivíduos no início da noite do dia 19 de agosto, entregou a chave do carro e, mesmo assim, foi atingido por disparos de um dos suspeitos. Ele sobreviveu aos ferimentos e reconheceu um homem de 18 anos preso pela Polícia Civil como um dos autores do crime.

Durante o velório do corpo da corretora de imóveis assassinada na quinta-feira (30), no Bigorrilho, o clima era de indignação com a fragilidade na segurança pública. Na tarde desta sexta-feira (31), familiares de Cláudia Mader Munhoz, 55 anos, preferiram não comentar detalhes do crime, mas reforçaram a revolta com o clima de insegurança existente na cidade e no estado. "É um sentimento de dor, sim, mas de revolta com essa falta de segurança. Se ela estivesse numa rua deserta, de madrugada... Mas estava trabalhando, à luz do dia, numa rua movimentada, e foi brutalmente assassinada. O cidadão não pode só lamentar e voltar a assistir à novela, não podemos ser tão carneiros assim", protestou Anita Maria Munhoz, tia da corretora.

Segundo Anita, amigos e familiares cogitam fazer uma manifestação pacífica, nos próximos dias, para pedir mais segurança. "Isso não pode continuar acontecendo. Era uma mãe de família, que ajudava o filho, os pais. Ela já tinha entregado o carro, era só irem embora, mas atiraram cruelmente. Não podemos nos calar, temos que lutar por mudanças, como a deputada [eleita Christiane Yared] lutou depois da morte do filho."

Cláudia era corretora de imóveis há menos de cinco anos, segundo a tia. Ela tinha um casal de filhos – a filha veio dos Estados Unidos para o velório. "A última vez que a vi, foi no casamento do filho dela, em agosto. Ela estava tão linda, fez uma homenagem aos noivos no microfone. Foi uma festa bonita. A família é muito religiosa, não está revoltada com Deus, mas com essa situação. Isso não pode continuar." O sepultamento de Cláudia ocorreu às 17 horas da sexta-feira, no Cemitério Municipal São Francisco.

O caso

Cláudia Mader Munhoz foi morta a tiros por assaltantes na Rua Gastão Câmara, entre a Alameda Júlia da Costa e a Rua Martim Afonso, no bairro Bigorrilho. O crime ocorreu por volta das 14h20 da quinta-feira. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a vítima se despede de um casal de clientes, para quem acabara de mostrar um imóvel, e é abordada pela dupla de assaltantes.

Ela se recusa a entregar a bolsa e tenta fugir, quando um dos assaltantes dispara. Dois tiros atingiram a mulher – um na nuca e um perto da orelha. Ela morreu na hora. Os assaltantes usaram o carro de Cláudia para fugir.

O veículo foi encontrado pela Polícia Militar, por volta das 8h15 desta sexta-feira (29) - manhã seguinte ao crime, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Segundo o delegado Guilherme Rangel, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) – que investiga o caso –, ainda não havia informações sobre o paradeiro dos criminosos, até a tarde desta sexta.

Um retrato falado do autor dos disparos, com base no depoimento de duas testemunhas, está sendo divulgado nas redes sociais. O suspeito aparenta ter entre 18 e 22 anos, cor de pele parda clara e 1,70 m de altura. A pedido da polícia, quem tiver qualquer informação pode ligar para o telefone (41) 3314-6400.

Reagir jamais, orienta a polícia

De acordo com o delegado Rangel, não havia dinheiro ou pertences de valor na bolsa de Claudia, que tenham motivado a resistência no momento do assalto. "Eles não levaram a bolsa, está aqui. Só tinha um celular, óculos e uma carteira."

Ele reforça que, embora a reação em um assalto dependa do temperamento da vítima, a orientação da polícia é jamais tentar reter o pertence. "Nunca reaja, você não sabe com quem está lidando. Para os criminosos, a vida é irrelevante, não custa matar alguém. Procure manter calma, apesar do estresse da situação, não faça movimentos bruscos, para não parecer estar reagindo", explica.

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