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Ensino superior

Federais conquistam o interior

Alunos de universidades públicas quase duplicam nos últimos anos em cidades brasileiras afastadas dos grandes centros. No Paraná, total de matrículas triplicam longe da capital

  • PorMaria Gizele da Silva, da sucursal
  • 30/05/2013 21:04
Lucas Issamu, aluno de Engenharia em Ponta Grossa: a descoberta do interior | Josué Teixeira/Gazeta do Povo
Lucas Issamu, aluno de Engenharia em Ponta Grossa: a descoberta do interior| Foto: Josué Teixeira/Gazeta do Povo

Planos

UFPR "namora" prefeituras

A centenária UFPR tem câmpus em Curitiba, Palotina (desde 1993) e Matinhos (desde 2005), mas a meta para os próximos anos é promover a expansão para polos espalhados pelo interior do Paraná. O reitor Zaki Akel Sobrinho afirma que recebe várias investidas de prefeitos e deputados para levar a estrutura da UFPR para as cidades interioranas e vê essa preocupação com bons olhos. "A UFPR tem condições de ir para o interior, desde que haja contrapartida do MEC e que os municípios doem os terrenos", diz.

"Temos demanda em Morretes, que pode oferecer uma estrutura muito boa; em Santo Antônio da Platina, que nos pediu cursos voltados para a área da pesca; Pato Branco, que quer melhorar o parque tecnológico; Santo Antônio do Sudoeste e Rio Negro", informa o reitor. A discussão mais avançada, no entanto, é a abertura de um câmpus em Jandaia do Sul, na Região Norte. Até o mês que vem, conforme Akel Sobrinho, deve haver definição de cursos e custos de instalação do câmpus.

A escolha de novos cursos de graduação se dá, como regra geral, com base no perfil socioeconômico da região. O IFPR, por exemplo, faz audiências públicas com os moradores para identificar as demandas. Outro foco das universidades é não duplicar cursos já oferecidos por outras instituições.

Cautela

A expansão das instituições federais fora dos limites das capitais é bem-vinda pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), mas há de se ter cautela, avalia o professor João Negrão, membro da diretoria do sindicato. Ele informa que um relatório recente da entidade mostra que as instituições federais têm problemas de infraestrutura e docentes com sobrecarga de trabalho devido ao déficit de profissionais. "O governo deve fazer uma expansão consequente e responsável. Esse é o nosso ideal", diz.

Um fenômeno recente tem sido observado no ensino superior paranaense: o investimento maciço das instituições federais na abertura de cursos e câmpus no interior do estado. Embora 61,5% dos alunos de universidades federais ainda estejam concentrados em Curitiba, o número de matrículas no interior praticamente triplicou nos últimos cinco anos, passando de 6,9 mil em 2007 para 17,3 mil em 2011. Os dados estão no Censo da Educação Superior do Instituto de Estudos e Pesquisas Edu­­cacionais (Inep), ligado ao Mi­­nistério da Educação (MEC).

Em 2007, Curitiba concen­­trava 79% das matrículas nas federais, o que mostra uma tendência de interiorização que já é comum na rede estadual, com 97% dos estudantes no interior; e entre as instituições particulares, que reúnem 59% dos alunos nas pequenas e médias cidades do Paraná.

A expansão para fora da capital foi alavancada por incentivos federais e pela receptividade dos municípios. Há quatro anos, as opções para os vestibulandos se limitavam a duas instituições no estado: a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Em 2009 foi instalado o Instituto Federal do Paraná (IFPR), que também oferta graduação, e em 2010 os câmpus da Universidade Federal da Inte­­gração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Rea­­leza e em Laranjeiras do Sul.

As instituições pioneiras também investiram em expansão. A UFPR empregou R$ 23,6 milhões na estruturação dos câmpus de Palotina, no Oeste, e de Matinhos, no Litoral, enquanto a UTFPR abriu mais 60 cursos no interior, num investimento total de R$ 122 milhões, nos últimos cinco anos. Desde 2009, mais 19 câmpus foram abertos no interior – 14 do IFPR, um da Unila, dois da UTFPR e mais dois da UFFS.

Acesso

Parte dos investimentos é contemplada pelo Pro­­gra­­ma de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado pelo MEC em 2007. A interiorização busca ampliar e facilitar o acesso ao ensino superior, assim como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona vestibulandos pela nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sem que eles precisem se deslocar para fazer o vestibular.

Foi por meio do Sisu que o estudante Lucas Issamu Nakasone Paulo, 21 anos, do segundo ano de Engenharia Mecânica do câmpus da UTFPR em Ponta Grossa, conheceu o Paraná. Ele se deslocou 900 quilômetros, entre Campo Grande (MS) e Ponta Grossa, para ter acesso ao ensino superior público. "Passei em Engenharia Civil em Campo Grande, mas não era o curso que eu queria", diz. Seu destino após a formatura ainda não é certo. "Aqui tem muito mercado para eu trabalhar, mas não estou pensando nisso ainda", afirma o estudante, que diz gostar do curso e do frio paranaense. "O clima frio foi um dos motivos que me fizeram escolher Ponta Grossa", acrescenta.

Plano de expansão em universidades tem verbas até o ano de 2016

Novos cursos e câmpus estão no plano de expansão das universidades federais instaladas no Paraná. Até 2016, pelo menos R$ 735 milhões serão investidos em obras. A maior parte dos recursos virá do Instituto Federal do Paraná (IFPR), que prevê expandir a oferta de cursos com o emprego de R$ 595 milhões.

O IFPR oferece ensino técnico, graduação e pós-graduação. Criado em 2009 com câmpus em quatro cidades, hoje está presente em 14 municípios.

A ideia é abrir mais seis câmpus e oito Unidades de Educação Profissional, vinculadas administrativamente a um câmpus e especializadas na oferta de ensino técnico, cursos de formação inicial e continuada e de educação a distância.

O reitor da instituição, Irineu Mário Colombo, lembra que a intenção principal é ampliar as licenciaturas, de modo a melhorar a capacitação dos professores dos ensinos médio e fundamental. "Vamos atender a demanda dos municípios na formação de professores, porque existe um déficit muito grande nesta área", completa.

A Unila, que fica em Foz do Iguaçu e tem um perfil voltado ao fornecimento de mão de obra para o desenvolvimento do Mercosul, iniciou as atividades em 2010 com seis cursos de graduação.

Hoje são 16 graduações e novos cursos estão em análise para serem abertos a partir de 2015. A aposta, neste momento, é em pós-graduação. Quatro cursos de mestrado estão em análise. Os custos de implantação ainda não foram divulgados.

Dos cinco câmpus da UFFS no Sul do país, dois estão no Paraná funcionando em prédios próprios. Desde a instalação, em 2010, a universidade usava prédios cedidos por outras instituições.

Os investimentos já chegam a R$ 40 milhões, mas a meta é dobrar esse valor nos próximos anos com a melhoria da estrutura existente e a abertura de cursos. Uma licenciatura na área de educação para o campo já está aprovada e começa a funcionar em 2014 no câmpus de Laranjeiras do Sul.

A UTFPR, que foi transformada em universidade federal em 2005, abriu 60 cursos de graduação nos últimos cinco anos, principalmente na área de engenharia.

Pouco mais de R$ 122 milhões foram investidos em abertura de cursos e câmpus. Dois câmpus foram abertos em Francisco Beltrão e em Guarapuava e um terceiro deve ser aberto em Santa Helena. A intenção é investir mais R$ 60 milhões até o ano que vem.

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