Manifestação reuniu funcionários na Praça Santos Andrade, em Curitiba | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Manifestação reuniu funcionários na Praça Santos Andrade, em Curitiba| Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Funcionários da Copel fizeram na manhã de sábado um protesto no centro de Curitiba contra o desligamento de cerca de 700 que, mesmo aposentados pelo INSS, continuam na ativa. O início da manifestação foi na Praça Santos Andrade. As dispensas fazem parte de um processo de renovação do quadro anunciado pela empresa em abril e é considerado ilegal pelos sindicatos que representam os trabalhadores.

A meta da Copel era substituir mil empregados que já se aposentaram pelo INSS. Cerca de 300 pessoas, na maior parte com idade para receber da Fundação Copel o complemento integral da aposentadoria, já deixaram a empresa.

O maior problema para os 700 funcionários que ainda serão desligados da Copel é que eles têm, em média, pouco mais de 50 anos de idade. Assim, eles se qualificam para receber apenas um complemento parcial da Fundação Copel. Segundo os aposentados, isso pode significar uma redução de 20% a 50% nos vencimentos.

É o caso do técnico especialista João Farias. Com 53 anos de idade, ele precisa contribuir por mais três anos à Fundação Copel para ter o complemento integral. "Agora que estou no fim da carreira, pagando faculdade de dois filhos, querem reduzir minha previdência", reclama.

Para o técnico Valmir Garcia, de 47 anos, a situação é ainda mais complicada. Ele tem à frente mais oito anos de contribuição à fundação e calcula que teria uma queda de 50% no complemento se saísse agora da Copel. "A empresa podia negociar para que saíssemos no tempo certo", diz.

O presidente do Sindicato dos Eletricitários do Paraná (Sindelpar), Paulo Sérgio dos Santos, conta que os funcionários têm tentado negociar com a Copel, mas que a tentativa de evitar os deligamentos deve mesmo ocorrer na Justiça. "Na nossa opinião não existe justificativa legal para as demissões. Vamos tentar obter uma liminar para parar esse processo", avisa. "Se não for possível, vamos pedir a reintegração dos trabalhadores à função."

"A decisão da Copel é uma discriminação. O contrato deles com a empresa continua valendo, apesar de receberem aposentadoria do INSS", argumenta Alexandre Donizete Martins, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba (Sindenel). Martins também destaca o fato de os aposentados serem os técnicos mais experientes da companhia e diz que sua substituição de uma só vez coloca em risco a qualidade dos serviços da Copel. "Para atingir o nível desses funcionários demora mais de dez anos."

O argumento da Copel para promover o desligamento é que ela corre o risco de ficar sem técnicos qualificados de uma hora para a outra – segundo a empresa, 12% dos mais de 8 mil funcionários estão aposentados pelo INSS. "Esse porcentual representa significativo risco ao desempenho da companhia e seus dirigentes têm o dever de buscar gerenciá-lo da melhor maneira", disse a empresa, em nota.

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