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Desafio de mobilidade do Google: solução inteligente ou tentativa de “dominar o mundo”?

Competição entre cidades americanas levantou uma polêmica: seria essa uma tentativa da Alphabet, dona do Google, de obter acesso privilegiado a dados de mobilidade?

  • PorNaiady Piva
  • [04/07/2016] [19:43]
Totem do LinkNYC: superprojeto de wi-fi grátis que a Sidewalk Labs, da Alphabet, está implantando em Nova York. | Jim Henderson/Creative Commons
Totem do LinkNYC: superprojeto de wi-fi grátis que a Sidewalk Labs, da Alphabet, está implantando em Nova York.| Foto: Jim Henderson/Creative Commons

Capital de Ohio, nos EUA, Columbus agora se apresenta como “Smart Columbus”. A cidade teve a ousadia de se auto-intitular a “primeira cidade inteligente do mundo” após vencer o primeiro Smart Cities Challenge, parceria do governo norte-americano com a Sidewalk Labs (divisão de cidades da Alphabet, dona do Google). São US$ 50 milhões para investir em três anos, período em que a gigante da internet vai assessorar o município na instalação do Flow, pacote tecnológico que promete revolucionar soluções em mobilidade. O assunto levantou uma polêmica: seria uma parceria ou tentativa da Alphabet de dominar o mundo ao obter acesso privilegiado a dados de mobilidade. O CEO do Sidewalk Labs, Daniel Doctoroff, não concorda. Em texto publicado na última quinta-feira (30), deixa claro que “ouvir as cidades” é o primeiro passa para a criação de novas tecnologias urbanas.

Com base em documentos internos do desafio, trocados entre a Sidewalk e as cidades participantes, o jornal britânico The Guardian alerta para “superpoderes de mobilidade” que podem ser adquiridos pela subsidiária do Google. As cidades seriam condicionadas a adotar a plataforma de pagamento da empresa para todos os serviços de trânsito e estacionamento público. Além disso, o subsídio do transporte público (em que o governo custeia parte da tarifa para passageiros de baixa renda) seria redirecionado para aplicativos de economia compartilhada, como o Uber. As informações estão no memorando de entendimento do contrato, segundo o Guardian.

Para especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, no entanto, é consenso que a empresa não é vilã nem mocinha nessa história. É um modelo de negócios novo, que une os interesses público (não pecuniário), privado (com fins lucrativos) e da população (que nada mais quer do que consumir bons produtos), opina Leandro Escobar, professor de Sistemas de Informação da Universidade Positivo. “Mas, destes, um tem que prevalecer: o da população”.

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É aí que entram os mecanismos de participação popular. Um planejamento estratégico que defina como a cidade deve crescer nas próximas décadas ajuda na hora de adotar tecnologias de impacto. Isto porque iniciativas como a do Flow são caras e levam tempo. Há um investimento alto entre o período de planejamento, instalação da infraestrutura e que a população passe a usar a tecnologia. Por isso o retorno tem que ser pensado em longo prazo, e não ser restrito ao tempo de uma gestão municipal, por exemplo, que no Brasil é de quatro anos.

Em Columbia, que deve funcionar como um laboratório, a meta da Sidewalk é começar a coletar dados em agosto, instalar um sistema de estacionamento dinâmico em janeiro e lançar um plano de mobilidade em julho do próximo ano.

Outra opção para balizar o que é “interesse coletivo” é levar em conta documentos pactuados entre diferentes setores da sociedade. Como os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estabelecem metas das Nações Unidas (ONU) para até 2030. Por ser um construído por meio do diálogo, ele dá as bases para encontrar respostas que equilibrem interesses de diferentes setores da sociedade, na avaliação do gerente do Centro Internacional de Inovação do Senai, Filipe Cassapo.

Smart cities

Outra polêmica envolvendo o Flow é sobre o controle de dados. Não é um risco deixá-los nas mãos da Alphabet, que já domina informações sobre milhões de pessoas ao redor do mundo? Por que não optar por uma empresa local, talvez o próprio governo? A questão também não é tão simples. A construção de cidades inteligentes depende do chamado “big data”, ou seja, da capacidade de processar grandes quantias de dados, de preferência em tempo real, e transformá-los em algo útil para a cidade. É algo caro, mas que pode ficar muito mais barato se feito de forma massiva, por empresas grandes. “Um fornecedor pequeno tem menos condições de trazer uma solução enorme, não faz uma leitura global por não ter abrangência, [mas] pode conseguir atender pequenas particularidades”, opina Leandro Escobar, professor da Universidade Positivo.

Mapear todas as vagas de estacionamento públicas da cidade e integrá-las a um aplicativo que fornece informações em tempo real, por exemplo, é algo caro. Exige mapeamento e a instalação de equipamentos, seja no asfalto ou nos postes de luz. Mas Google e Apple, que dominam smartphones e serviços de mapeamento, podem fazer isso de forma relativamente rápida e barata.

O Flow hoje foca em mobilidade. Mas há plataformas para integrar todas as informações relevantes da cidade em um só lugar. Caso do Fiware, iniciativa da União Europeia para criar um “ecossistema sustentável” para as smart cities. Traduzindo, é um espaço que busca integrar dados (como os do trânsito, que muitas cidades disponibilizam em tempos reais), instrumentos de coleta (como os celulares e todos os dispositivos com acesso à internet) e soluções (como aplicativos que permitem ao cidadão acessar todos estes serviços).

Construir plataformas de big data é o primeiro passo para construir uma cidade inteligente, avalia professor Almir Meira Alves, da Fiap, faculdade com foco em tecnologia. Ele acredita que é crucial que estas tecnologias desembarquem no Brasil o mais rápido possível. “Para acelerar a resolução de problemas e não ficarmos atrasados tecnologicamente”.

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