Aves fazem parte do cenário urbano do Lago Igapó, mas a sujeira aumenta poluição | Roberto Custódio/Jornal de Londrina
Aves fazem parte do cenário urbano do Lago Igapó, mas a sujeira aumenta poluição| Foto: Roberto Custódio/Jornal de Londrina

Londrina - A cada primavera, uma nova ninhada de gansos nasce no Lago Igapó, em Londrina. As aves embelezam um dos cartões postais da cidade. O problema é que a superpopulação de gansos faz aumentar a poluição. A solução proposta por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma medida de controle ambiental: a vasectomia, método contraceptivo utilizado em machos.

Coordenado pela médica veterinária e professora da UEL Carmen Grumadas, o projeto prevê a esterilização de alguns gansos machos, para evitar que a população cresça desenfreadamente. "A gente acha interessante que eles vivam lá, mas não queremos que se reproduzam muito. É um controle de natalidade e um cuidado com os animais", explica.

A professora observa ainda que, com uma grande quantidade de animais, a poluição provocada por excrementos também aumenta. "As fezes também poluem o córrego e podemos ter problemas com muitos coliformes fecais na água. Há o risco de a poluição aumentar cada vez mais, já que os gansos defecam na calçada e na grama. É muita sujeira, difícil de administrar".

A contaminação por doenças em seres humanos também foi avaliada. "Talvez até transmitam doenças para os seres humanos no futuro, mas, por enquanto, ainda é uma população pequena", avalia a professora. Entretanto, as cerca de cem aves – contadas pelo grupo de pesquisadores – podem transmitir doenças entre si. Carmen ressaltou que os animais são considerados domésticos, porque vivem dentro do ambiente urbano e estão adaptados.

Por causa disso, a esterilização dos gansos precisa somente da autorização do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma). O projeto foi apresentado ao Consemma em abril de 2007, aprovado pela Câmara Técnica Fauna e Flora no início deste ano e está sendo colocado em prática agora, com a liberação de recursos da promotoria do Meio Ambiente.

O biólogo Eduardo Panachão, coordenador da Câmara Fauna e Flora e presidente da organização não governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado (MAE), elogiou a iniciativa. "Esses animais foram colocados ali, não são nativos e não há nenhum predador natural. Além disso, os gansos têm grande oferta de alimentos e se reproduzem até chegar a uma grande população. Dentro da cidade é preciso um controle, porque senão podem acabar trazendo problemas como doenças e sujeira. Infelizmente a cidade não suporta predadores naturais, então são necessárias medidas de controle populacional", observa.

A professora Carmen explicou que o projeto está em fase de testes. "Estamos testando anestesias para depois podermos realizar a cirurgia. É preciso ver ainda quem é macho e fêmea", disse. A vasectomia nos animais está prevista para o segundo semestre.

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