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CORTE

Governo fecha entrada e corta energia e água do Núcleo de Educação

Medida foi adotada 24 horas após a ocupação do prédio por estudantes que protestam contra medidas encaminhadas ao Congresso pela gestão Michel Temer

  • Raphael Marchiori, Marcos Xavier Vicente e Eriksson Denk, especial para a Gazeta do Povo
  • Atualizado em às
Polícia Militar está impedindo a entrada de estudantes no Núcleo de Educação. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Polícia Militar está impedindo a entrada de estudantes no Núcleo de Educação. Henry Milleo/Gazeta do Povo
 
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A energia e a água do prédio que abriga o Núcleo Regional de Educação (NRE), no bairro São Francisco, foram cortadas nesta terça-feira (1º). O local está ocupado por estudantes desde a última segunda-feira (31). A Polícia Militar foi acionada. Colocadas ao redor do prédio, as equipes impedem a entrada de comida e de novos estudantes. Servidores, aposentados e pensionistas estão tendo acesso ao prédio, mediante liberação da polícia.

(correção: O título da reportagem foi atualizado às 13h desta quarta-feira retirando a expressão “sem mandado”, pois a execução de ação de corte de água e energia do prédio não exigia a expedição de uma ordem judicial. Naquele momento, o governo do estado ainda buscava uma decisão judicial para desocupar o edifício)

A informação do corte de energia e água partiu de um integrante da Procuradoria- Geral do Estado e foi confirmada por policiais que acompanham a ocupação no prédio administrativo da Secretaria Estadual da Educação.

Desde o começo da tarde, alunos se concentram em frente a um dos portões. Impedidos de acessar o prédio, alguns tentaram entrar no local por uma porta que fica mais abaixo da entrada principal. A tentativa, impedida pela polícia, gerou um pequeno tumulto.

Por volta das 15 horas, chegaram ao local representantes da comissão de Direitos Humanos da OAB e do Conselho Tutelar. Inicialmente, eles dialogaram com o coronel Antonio Zanatta Neto, que se recusou a conversar com alunos mascarados.

Pouco depois, um grupo de cerca de dez estudantes passou a integrar a conversa, que ocorre no interior do Núcleo.

Segundo o coronel, alguns aposentados estavam reclamando de abordagens dos estudantes. “Estamos abertos ao diálogo desde que saibamos com quem estamos falando. Nós só vamos conversar com quem sabemos quem é, que mostre o rosto e que a gente saiba o RG. Não sabemos se quem está mascarado é estudante ou vândalo”, afirmou.

Uma estudante de 17 anos que participa do protesto reclamou. “É uma absurdo. Fomos de manhã para acompanhar a reintegração e não pudemos voltar o prédio. Temos o direito de ir e vir. Assim como deixamos o pessoal da ParanáPrevidência entrar, deveriam ter deixado a gente. Não estão cumprindo a parte deles.”

Indagada se o protesto não estaria prejudicando o atendimento aos aposentados, a estudante contra-argumentou. “Pelo contrário. Estamos até ajudando os aposentados, porque os funcionários do ParanáPrevidência não estão querendo atender e nós estamos pedindo pra que eles sejam atendidos.”

O presidente do ParanáPrevidência, Rafael Iatauro, informou que nenhuma depredação foi constatada no prédio onde estão os estudantes, onde são oferecidos serviços como os de cadastro dos pensionistas, perícias médicas e atendimento geral dos aposentados.

Ocupação

O manifestantes ocuparam o prédio do NRE, que fica na rua Inácio Lustosa, horas após o início do cumprimento das ordens de reintegração de posse de 25 escolas de Curitiba.

A repartição pública, que fica no mesmo edifício do ParanáPrevidência, foi tomada por cerca de 35 alunos. Eles garantiram que não iriam atrapalhar o trabalho dos servidores do ParanáPrevidência, mas a diretoria do órgão orientou os funcionários a deixarem o local.

Foi o primeiro prédio administrativo do governo a ser ocupado na capital – núcleos de três outras cidades do interior (Laranjeiras do Sul, Pato Branco e Maringá) chegaram a ser ocupados, mas já voltaram a funcionar normalmente.

A Justiça deferiu na última quinta-feira (27) um pedido do estado de reintegração de posse de 25 escolas. Até o momento, 20 escolas já haviam sido desocupadas pelos estudantes.

Nesta segunda-feira (31), sete escolas foram reintegradas: Etelvina Cordeiro Ribas, Flávio F da Luz, Guido Arzua, Iara Bergman, Protásio de Carvalho, Rio Branco, Teobaldo Kletemberg. Nesta terça foi a vez do Tiradentes e do Professor Cleto. E as outras dez, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed), foram desocupadas de maneira voluntária nos últimos dias, sem a necessidade de notificação judicial. A próxima unidade a ser reintegrada será a Professor Elias Abraão, no Cristo Rei.

O Colégio Estadual Santa Felicidade também foi desocupado antes da notificação, mas a saída dos estudantes foi motivada pela morte de um estudante de 16 anos que entrou em confronto com um colega da mesma escola. Já o Colégio Estadual do Paraná teve sua reintegração suspensa até a próxima semana.

Os estudantes começaram o movimento Ocupa Paraná no dia 3 de outubro em protesto contra a Medida Provisória que reforma o ensino médio e a PEC 241, que limita um teto de gastos para o poder público de acordo com a inflação do ano anterior.

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