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CALENDÁRIO ESCOLAR

Greve já afeta férias de julho e os sábados

Estado precisa garantir o mínimo de 200 dias letivos na rede pública e para isso precisará avançar nas horas de descanso

  • PorCatarina Scortecci,
  • 13/05/2015 22:00
 | Roberto Custódio/Jornal de Londrina
| Foto: Roberto Custódio/Jornal de Londrina

A segunda etapa da greve dos professores no Paraná completa 18 dias nesta quinta-feira (14) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) ainda aguarda o retorno dos docentes às aulas para definir como será feita a reposição do conteúdo. Considerando o cenário atual, a Seed disse à reportagem que o recesso de julho deve ficar comprometido, além de parte dos sábados.

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Secretaria da Educação pode contratar docentes temporários para garantir volta às aulas

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou na quarta-feira (13) à Gazeta do Povo que há, sim, a possibilidade de contratar professores temporários para fazer a reposição das aulas. Esta possibilidade está sendo ventilada porque o governo estadual mantém a disposição em descontar os dias parados do salário dos grevistas. Com os descontos, os professores não são obrigados a repor as aulas.

“O governo do estado já está abrindo edital para contratação de novos professores temporários em todas as regiões do Estado”, informou a Seed em nota enviada à reportagem.

Em reunião no último dia 7 com representantes da APP-Sindicato, a nova secretária estadual de Educação, Ana Seres Trento Comin, se comprometeu a não fazer os descontos referentes à folha de pagamento de abril, mas enfatizou que, se a greve continuasse, haveria desconto nos contracheques seguintes. (CS)

“Cada Núcleo de Educação terá uma realidade diferente e os detalhes precisarão ser acertados, pois há casos de escolas abertas, fechadas, ou em funcionamento parcial. A intenção é o calendário fechar até 23 de dezembro, mas isso só será possível de definir com precisão após o fim da paralisação”, disse a Seed em nota.

O Estado é obrigado a fornecer no mínimo 200 dias letivos aos alunos da rede pública. A primeira greve de 2015 durou 29 dias, entre fevereiro e março, e consumiu 18 dias letivos. Devido à primeira greve, um novo calendário escolar foi elaborado. Foram aprovadas três mudanças principais: uma das duas semanas das férias de julho foi cortada; em dezembro, as aulas foram esticadas em mais uma semana, sendo levadas até o dia 23; e recessos ligados a feriados também foram cortados.

A segunda greve de 2015, considerada uma continuação da anterior, foi deflagrada em 27 de abril. Sem contar o feriado de 1.º de maio, a segunda etapa da greve já consumiu mais 13 dias letivos.

A greve dos professores em fases

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Em reunião no dia 7 entre a nova secretária de Educação, Ana Seres Trento Comin, e representantes da APP-Sindicato, entidade que representa os servidores da educação, ficou definido que um novo calendário escolar será formatado em conjunto. Ou seja, a ideia é que o sindicato e o governo estadual negociem as datas.

Segundo Walkíria Olegário Mazeto, da Secretaria Educacional da APP-Sindicato, com 18 dias de greve ainda há possibilidade de fechar o conteúdo este ano. “Hoje, acho que a gente conseguiria fazer a reposição comprometendo uma semana de julho e alguns sábados”, disse repetindo a previsão da Seed.

Walkíria reforça que os professores estão dispostos a voltar às salas, mas que cabe ao governo estadual “destravar a pauta”, para haver avanço nas negociações. O principal entrave é sobre a indefinição do Executivo em torno da data-base dos servidores. “Quando voltarmos, acho que o importante é fazer uma nova acolhida aos alunos e explicar a situação, que também é importante no processo de formação do aluno. Nossa greve vai além da pauta de reivindicações. Ela tem ligação com democracia, com relação de forças.”

À espera

Um milhão de alunos esperam as negociações entre o sindicato e o governo estadual. “As chefias dos Núcleos Regionais de Educação podem avaliar os pedidos da comunidade, caso a caso”, respondeu a Seed sobre a abertura de bibliotecas e outros espaços das escolas durante a greve como alternativa aos alunos. “Eles têm autonomia para isso e podem decidir conforme a realidade local.”

Quase todos os professores aderiram à greve, mas a Seed e também a APP-Sindicato ainda não têm um número exato. No início desta semana houve alguns movimentos de retorno pontuais. “Mas as informações ainda são muito incipientes”, diz Walkíria.

Escola fura paralisação em Londrina

Uma escola estadual de Londrina (foto) retomou as aulas há uma semana mesmo com a greve de professores. A diretora, que não quis ter o nome divulgado, disse que 90% dos docentes optaram pela retomada das aulas por motivos pessoais, já que não poderiam repô-las fora do calendário letivo regular. O retorno foi avisado aos alunos pelas redes sociais. Mesmo assim, há professores e funcionários do setor administrativo e serviços gerais que permanecem em greve. Para o presidente da APP-Sindicato de Londrina, Márcio André Ribeiro, é um caso isolado. “Em um movimento de greve, entendemos que é normal que a adesão não seja completa, apesar de termos um índice bastante elevado de adesão, próximo aos 90%.”

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