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Investigação

Juiz quer novo suspeito e vítima do Morro do Boi cara a cara

Homem que confessou morte de estudante e tiro em garota será ouvido. Primeiro suspeito, ainda preso, entra com novo pedido de liberdade

  • PorThemys Cabral
  • 02/07/2009 21:04
Gruta no Morro do Boi: novo suspeito deverá fazer reconstituição | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Gruta no Morro do Boi: novo suspeito deverá fazer reconstituição| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Unfried conta como teria sido o crime

A Gazeta do Povo teve acesso, com exclusividade, às declarações dadas por Paulo Delci Unfried às promotoras de Justiça de Matinhos. O documento, anexado às páginas 639 e 640 do processo 2009/3987-4, em que Juarez Ferreira Pinto figura como réu, mostra que Unfried confessa ser o verdadeiro autor dos disparos que mataram Osíres Del Corso e feriram sua namorada, Monik Pegorari de Lima. O crime aconteceu no dia 31 de janeiro.

Leia a matéria completa

Relembre o caso do Morro do Boi

O crime

- Os estudantes Monik Pegorari, de 23 anos, e Osíris Del Corso, 22, foram baleados no dia 31 de janeiro no Morro do Boi, na praia de Caiobá, em Matinhos. Monik ficou 18 horas no local do crime até ser resgatada pela polícia. Ela teria sido vítima de estupro. Osíris morreu na hora.

A primeira prisão

- No dia 17 de fevereiro, Juarez Ferreira Pinto, de 42 anos, foi detido pela polícia no balneário de Santa Terezinha, em Pontal do Paraná, com base em retrato falado feito com informações da vítima. Juarez alegou inocência desde o princípio.

Mudança de versão

- Quatro dias depois da prisão, a polícia mudou a versão. Em vez de homicídio, Juarez teria praticado um latrocínio (roubo seguido de morte). A afirmação da polícia se baseou em supostos R$ 90 que teriam desaparecido da roupa de Monik. O próprio delegado Luiz Alberto Cartaxo havia dito dias antes que nada havia sido roubado. Também houve um recuo na questão do suposto estupro que a jovem teria sido vítima. Na segunda versão, houve apenas atentado violento ao pudor, quando não há conjunção carnal.

Caso encerrado

- No dia 26 de fevereiro, a polícia anunciou o encerramento do caso e o indiciamento de Juarez. E revelou que duas provas apresentadas pela defesa haviam sido adulteradas: um caderno com anotações sobre a movimentação do caixa da empresa onde Juarez trabalhava e uma folha solta de papel, onde era controlada a quantidade de carrinhos de chope que saíam para a praia – Juarez trabalhava limpando os carrinhos. As datas dos dois documentos estavam rasuradas.

Nova prisão

- No dia 25 de junho, Paulo Delci Unfried foi preso por invadir uma casa e violentar uma mulher, em Matinhos. Ele confessou ter matado Osíris e baleado Monik. Com ele havia duas armas e o exame de balística confirmou que o tiro que matou o estudante partiu de uma delas.

Desmentido

- Em acareação com Monik e Juarez, Paulo Unfried voltou atrás e disse que foi forçado a confessar.

Soltura

– Na noite de 31 de julho, por falta de provas, a Justiça mandou soltar Paulo Unfried.

  • Veja trechos das declarações dadas por Unfried às promotoras de Justiça de Matinhos

Paulo Delci Unfried, 32 anos, que confessou ser o autor do crime do Morro do Boi, será ouvido pelo juiz substituto da Comarca de Matinhos, Rafael Luís Brasileiro Kanayama, no próximo dia 23 de julho. O juiz determinou ainda que, na mesma audiência, Monik Pegorari, a vítima que sobreviveu ao crime, faça o reconhecimento de Unfried. Por enquanto, formalmente, Unfried está arrolado no processo apenas como testemunha.

Ontem, no início da noite, os advogados de defesa do réu do processo, Juarez Ferreira Pinto, 42 anos, entraram com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O pedido foi feito depois que o juiz Kanayama não acatou a revogação de prisão preventiva pedida pela defesa. Até o fechamento desta edição, Juarez, que está preso desde o dia 17 de fevereiro, permanecia na Casa de Custódia de Curitiba.

Os pedidos feitos pela defesa de Juarez basearam-se na confissão feita por Unfried e no fato de que a arma encontrada com o novo suspeito é a mesma utilizada no crime do Morro do Boi, segundo o exame de balística.

O juiz Kanayama baseou a sua decisão de não soltar Juarez no fato de que Monik reconheceu o réu como o verdadeiro autor do crime. "Nós recebemos a decisão do juiz Kanayama com serenidade, mas acreditamos que no Tribunal de Justiça, com julgadores mais experientes, nosso pedido seja atendido. Confiamos na Justiça", disse o advogado de Juarez, Daniel Lemos.

Também ontem, o Ministério Público do Paraná anunciou a entrada do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nas investigações do crime ocorrido no Morro do Boi. Apesar de o Gaeco atuar no crime organizado e no controle externo da atividade policial, a experiência em investigações de promotores, policiais civis e militares do grupo pode ajudar na elucidação do caso do litoral paranaense, segundo o Ministério Público.

A pedido do Ministério Público, ainda, a reconstituição dos fatos, segundo a versão apresentada por Unfried, será feita pela Delegacia de Matinhos. De acordo com Secretaria de Segurança Pública, ainda não há data definida para que isso aconteça.

Sigilo

O processo judicial 2009/3987-4, em que Juarez figura como réu no caso do crime do Morro do Boi, já conta com aproximadamente 650 folhas, várias contradições e reviravoltas (veja no quadro ao lado). Com tanta mudanças de versões, as autoridades passaram a sofrer críticas sobre a atuação no caso.

Ontem, a Secretaria de Segurança informou que o delegado Luiz Alberto Cartaxo continua à frente do caso. Cartaxo afirmou que, informalmente, ficou sabendo que Kanayama decretou segredo de Justiça e que, por isso, não vai mais se pronunciar sobre o assunto. "Ainda não fui informado oficialmente, mas já estou respeitando essa determinação", afirmou.

No fim de tarde de ontem, o Ministério Público divulgou em nota uma informação semelhante. De acordo com o texto, "o Juízo da Comarca de Matinhos decretou o sigilo temporário dos autos nº 2009/387-4 e do inquérito policial instaurado em face de Paulo Delci Unfried". O motivo alegado pelo juiz, segundo a nota, é que "a publicidade das investigações pode influenciar a correta averiguação dos fatos".

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