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Curitiba

Júri Popular condena dois homens pela morte de sem-terra em Marilena

Osnir Sanches e Teissin Tina foram condenados por homicídio simples, o primeiro a 13 anos e o segundo, a seis anos. Outros dois réus, Marcos Prochet e Augusto Barbosa da Costa, devem ser julgados no início do próximo ano

  • Tatiane Salvatico e William Kayser
  • Atualizado em às
 
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Após 14 anos do assassinato do trabalhador sem-terra Sebastião Camargo em Marilena, no Noroeste do Paraná, dois homens foram condenados, em júri popular, realizado na terça (27) e na quarta-feira (28), no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em Curitiba. Osnir Sanches pegou 13 anos de prisão e Teissin Tina, seis anos. Eles poderão recorrer da decisão em liberdade.

Os dois foram condenados por homicídio simples. Além disso, Sanches foi condenado pela constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais. O outro condenado, Teissin Tina, era o então proprietário da fazenda Boa Sorte, localizada em Marilena, onde o sem-terra foi assassinado.

O crime aconteceu em 7 fevereiro de 1998, em uma fazenda ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). De acordo com a organização de direitos humanos Terra de Direitos, testemunhas relatam que um grupo de 30 pistoleiros armados e vestidos de preto obrigaram as 70 famílias acampadas no local a deitar no chão, com o rosto voltado para baixo.

Sebastião Camargo tinha 65 anos e sofria de um problema cervical que o impedia de permanecer agachado. Ao ver que o trabalhador não cumpriu a ordem, um homem acusado de comandar o despejo apontou e disparou, de uma escopeta calibre 12 milímetros, um tiro contra ele, a menos de um metro de distância.

Marcos Prochet é acusado de ser o autor do disparo. Segundo a organização Terra de Direitos, Prochet era proprietário de uma fazenda localizada em Querência do Norte, também na região Noroeste do estado, onde os manifestantes haviam acampado anteriormente.

Outros acusados devem ser julgados no próximo ano

Além de Teissin Tina e Osnir Sanches, o julgamento previa a presença dos réus Marcos Prochet e de Augusto Barbosa da Costa, acusado de integrar uma milícia organizada. No entanto, após apresentarem substituição de advogados às vésperas do júri, alegaram necessidade de mais tempo para se prepararem para o julgamento.

“Haverá designação o mais rápido possível de um outro júri, possivelmente para o início do ano que vem, julgando os outros dois acusados”, afirmou Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, juiz que esteve à frente do julgamento, em nota divulgada pela organização Terra de Direitos.

Advogados

Um dos advogados de Teissin Tina, Antonio Darienso Martins, informou que não pretende recorrer da decisão porque o cliente tem mais de 70 anos. “Teríamos pretensão de recorrer tentando a absolvição do cliente, mas isso já foi desgastante demais”, disse. “Em razão da idade dele, essa pena será prescrita. Ele não cumprirá pena alguma.” Segundo Martins, Tina completará 78 anos ainda em 2012.

O advogado de Osnir Sanches, Roberto Noboro Iamaguro, afirmou que vai recorrer da decisão porque o cliente foi acusado de ser o coautor do crime. “Conseguimos derrubar apenas uma qualificadora no tribunal. Mesmo assim houve elevação da pena que entendemos que não foi correta”, argumentou. Iamaguro tentará provar que Sanches não foi o coautor do delito.

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