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O delegado Rubens Recalcati no dia de sua prisão pelo Gaeco | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/Arquivo
O delegado Rubens Recalcati no dia de sua prisão pelo Gaeco| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/Arquivo

A Justiça de Rio Branco do Sul aceitou a denúncia oferecida pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra o delegado Rubens Recalcatti, sete investigadores da sua equipe e Mauro Sidnei do Rosário. Com a decisão, começa a tramitar oficialmente o processo que acusa os nove homens pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, crueldade e sem chance de defesa da vítima), abuso de autoridade e fraude processual. A denúncia foi protocolada no dia 27 de janeiro e conclui a investigação sobre a morte de Ricardo Geffer, ocorrida no dia 28 abril do ano passado, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

Todos os acusados, segundo o texto dos promotores, tiveram participação direta no dia do crime. Alguns deles, no entanto, não haviam sido identificados no começo das investigações, pois estavam usando balaclava – uma espécie de máscara usado em operações por policiais para preservarem suas identidades.

De acordo com o Ministério Público (MP), os policiais executaram Geffer em razão de o acusarem, sem provas até o momento, de assassinar o ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazzari, o “João da Brascal” algumas semanas antes. Mauro, que não é policial, também suspeitava que Geffer teria atirado contra ele e contra sua esposa, um mês antes da suposta execução.

“(...) O denunciado Mauro Sidnei do Rosário procurou o denunciado Rubens Recalcatti, e prestou declarações por escrito, atribuindo a autoria da morte do “João da Brascal” a uma quadrilha integrada, entre outros, por seu desafeto Ricardo Geffer”, descreveu o texto da denúncia, ao qual a reportagem teve acesso. De acordo com a denúncia, assim que obteve as informações de Rosário, o delegado reuniu vários policiais para “caçar” Geffer.

Os promotores sustentam que, em data não precisa, mas após o dia 12 de abril, invadiram residências, portando armas de grosso calibre, e de forma ameaçadora, questionando supostas vítimas sobre o paradeiro de Geffer, realizando buscas ilegais nos locais.

O advogado de defesa do delegado e dos outros sete policiais, Cláudio Dalledone Júnior, afirmou que tomará medidas judiciais imediatamente e que considera a situação arbitrária. Quando a denúncia foi oferecida pelo Gaeco, Dalledone afirmou que os fatos narrados na denúncia oferecida pela promotoria de Rio Branco do Sul e pelos promotores do Gaeco nunca existiram. De acordo com o defensor, os policiais agiram no estrito cumprimento do dever legal e em legítima defesa. O advogado ainda acusou o Gaeco de carregar hostilidade no texto da denúncia. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Mauro Sidnei do Rosário.

O dia do crime

No dia 28 de abril de 2015, por volta das 10 horas, segundo a denúncia do MP, Recalcatti, Mauro e os sete investigadores foram até a propriedade rural, na localidade do Açungui, em Rio Branco do Sul, com “inequívoca intenção de matar”.

“Assim que chegaram, os denunciados efetuaram diversos disparos de arma de fogo, tendo a vítima, então, tentado sair correndo para a parte de trás do imóvel, mas desistiu assim que os denunciados se identificaram como policiais”, descreveram os promotores.

Assim que perceberam cinco testemunhas, os policiais teriam retirado essas pessoas do local algemadas. Rosário, então, segundo os promotores, desferiu um tiro na genitália da vítima. Em seguida, o delegado teria chutado o rosto de Geffer, o chamando de valentão. Rosário mais uma vez atirou contra Geffer, desta vez na barriga.

Segundo as investigações, novamente os policiais teriam percebido que algumas das testemunhas ainda podiam ver o que acontecia. Os policiais teriam, em seguida, deslocado Geffer para um local menos à vista. De acordo com a denúncia, a vítima foi mais uma vez alvejada pelos policiais. Enquanto agonizava, foi colocada em um veículo onde teria ocorrido o tiro final.

Fraude processual

A denúncia acusa ainda os policiais e Rosário de terem simulado um confronto para confundir a Justiça. Conforme o texto dos promotores, os acusados recolheram “boa parte” dos estojos dos projéteis deflagrados no local. Eles ainda teriam retiraram a vítima do local com o objetivo de dificultar a identificação do local exato da morte.

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