São Paulo - Quarenta contêineres carregados com lixo tóxico, domiciliar e eletrônico que chegaram da Inglaterra nos últimos meses continuam em Rio Grande (RS), apesar de o prazo para a carga ser devolvida ter expirado na sexta-feira passada. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar o caso e deve acionar a Interpol (polícia internacional) para investigar responsabilidades.

A Receita Federal e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul também investigam o desembarque do material. Outros 16 contêineres chegaram a Santos e 8, a Caxias do Sul (RS). O total da carga soma 1,2 mil toneladas. Após o prazo se encerrar, o Ibama decidiu prorrogá-lo ao ouvir as explicações dadas pelas empresas importadoras e de logística autuadas.

Segundo a divisão do órgão em Rio Grande, as companhias estão "colaborando" com as investigações. As empresas argumentam que compraram ou intermediaram a compra dos materiais para reciclagem, o que é considerado legal, mas as companhias inglesas acabaram enviando lixo. Segundo o Ibama, duas delas dizem que podem providenciar o retorno do material à Europa.

A Receita Federal afirma que o esquema é similar ao usado pela máfia italiana, que envia lixo para países da África. Os contêineres chegaram entre fevereiro e maio deste ano, vindos do porto de Felixstowe. Em um deles, havia até um tonel com brinquedos com um aviso que dizia para entregá-los a "crianças pobres do Brasil". Seringas, pilhas, camisinhas e tecidos também foram trazidos.

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