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História

Locomotiva aposentada é xodó de colecionador

Ferreomodelista tem mais de 20 mil itens em seu acervo, mas é uma Maria-Fumaça que o motiva a lutar pela história de ferrovia paranaense

  • PorMaria Gizele da Silva, da sucursal
  • 25/10/2013 21:09
 | Josué Teixeira/ Gazeta do Povo
| Foto: Josué Teixeira/ Gazeta do Povo

Reivindicação

Prefeitura pretende reformar estação e locomotiva

O presidente da Fundação Cultural de Ponta Grossa, Paulo Eduardo Goulart Netto, disse que a locomotiva está em tombamento municipal preliminar e o processo deve ser concluído em 120 dias. Há projetos de restauro da Maria- Fumaça, que variam entre R$ 240 mil e R$ 360 mil.

A intenção é restaurar a peça e colocá-la na frente da Estação Saudade para ficar mais visível à população. Outro desejo, segundo Netto, é pintar e arrumar o telhado da Estação Saudade. Para 2014, a intenção é apresentar um projeto de reforma da estação através da Lei Rouanet. Após a restauração, a estação pode ganhar um fim cultural, como um museu ferroviário.

As reformas finalmente vêm ao encontro das reivindicações do ferreomodelista José Francisco Pavelec, um dos principais defensores brasileiros dos trens – independente do tamanho ou da idade. Em seu apartamento, no centro de Ponta Grossa, ele tem itens que fazem referência a trens que vão desde panos de prato, imãs de geladeira, miniaturas, a réplicas até uma maquete de uma linha férrea que ocupa um quarto e mede três por cinco metros. A vestimenta de Pavelec também revela sua paixão: gravatas e broches que estampam locomotivas são sua marca registrada.

O aposentado, que viaja pelo menos duas vezes por ano de trem entre Curitiba e Morretes, diz que a melhor viagem que já fez foi a rota do trem Transiberiano, entre a Rússia e a China, quando passou 16 dias dentro de um vagão conhecendo bonitas paisagens. Seu sonho, no entanto, é viajar pelo Trem Azul, que corta os cenários mais belos da África do Sul.

Quando José Francisco Pa­velec nasceu, a locomotiva 250, a velha Maria Fumaça, já puxava vagões mercantes no interior do Paraná. Hoje ele tem 64 anos e é um dos maiores ferreomodelistas do Brasil com mais de 20 mil peças no acervo particular. Já a Maria-Fumaça foi trocada pelos trens a diesel e se "aposentou" em 1972. O risco de deterioração da locomotiva incentiva o colecionar a lutar pela preservação da história da ferrovia no Paraná.

Pavelec fundou e é um dos representantes do Clube da Maria-Fumaça no Paraná. Além de Ponta Grossa, as cidades de Maringá, Curitiba e União da Vitória têm exemplares desse tipo de locomotiva movida a vapor. A locomotiva 250 é genuinamente ponta-grossense.

Começou a ser construída nos anos 30 pelo engenheiro Ewaldo Krüger no pátio da antiga Rede Ferroviária e, depois de sua morte, foi concluída pelo filho Germano Krüger. Passou a ser usada em 1942 puxando até oito vagões de carga pela ferrovia. Em 1972, foi deixada de lado. Em 1992, foi cedida pela Rede Ferroviária em comodato à prefeitura.

A locomotiva foi então retirada do antigo pátio e colocada no Parque Ambiental de Ponta Grossa, atrás da Casa da Memória e bem próximo da Estação Saudade (de 1898), ambas estações de trem tombadas como patrimônio histórico e cultural do Paraná em 1990.

Pavelec participou da mudança. As estações ainda não eram tombadas quando corria o boato que o terreno onde hoje ficam as velhas estações seria usado na construção de um shopping. Nas últimas quatro gestões na prefeitura, o colecionador e apaixonado pelas ferrovias insistiu na preservação do que restou dos bens da antiga Rede Ferroviária cobrando benfeitorias dos gestores. Em fevereiro deste ano, enviou ofício ao prefeito Marcelo Rangel cobrando providências.

Restauração

A Maria-Fumaça e a Es­tação Saudade foram restauradas no governo Péricles de Mello (2001-2004), mas desde então são alvo da ação do tempo e de vândalos. As paredes da Estação, que até o ano passado sediou a Biblioteca Municipal, estão pichadas e os vidros das janelas estão quebrados. A locomotiva, que está sem cobertura e à mercê da ferrugem, atrai crianças que sobem na cabine para brincar de maquinista, pichadores e até ladrões de peças.

Em junho deste ano, Pa­velec colocou uma faixa na locomotiva pedindo socorro à "peça rara", mas a faixa foi retirada em poucos dias. "Meu médico já me disse para deixar de vir aqui porque eu fico muito triste", comenta.

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