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Aeroporto

Muito próximo do esgotamento

Afonso Pena registra movimentação recorde em 2011, com 6,9 milhões de usuários, 20% a mais que no ano anterior

  • Rafael Waltrick
Reforma na pista de pousos e decolagens do Afonso Pena: gargalo estrutural só será minimizado com obra de ampliação do aeroporto, prevista para o final de 2013 |
Reforma na pista de pousos e decolagens do Afonso Pena: gargalo estrutural só será minimizado com obra de ampliação do aeroporto, prevista para o final de 2013
 
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O Aeroporto Internacional Afon­so Pena, em São José dos Pinhais, registrou em 2011 a maior evolução anual no número de passageiros dos últimos nove anos. Em relação a 2010, o aumento chegou a 20% – foram 6,9 milhões de usuários atendidos, 1,2 milhão a mais do que no ano anterior. A evolução, apesar de comemorada por companhias aéreas e agências de viagens, preocupa por causa do gargalo estrutural comum aos maiores aeroportos brasileiros: caso o ritmo de crescimento se mantenha, já em 2012 o número de passageiros deve ser superior à capacidade do Afonso Pena, de 7,8 milhões de usuários ao ano.

Estudo divulgado no ano passado pelo Instituto de Pesquisa Eco­nômica Aplicada (Ipea) mostrou que, em 2010, 14 dos 20 principais aeroportos brasileiros operavam em “situação crítica”, com uma taxa de ocupação acima de 100%. O Afonso Pena, apesar de não fazer parte do grupo, foi enquadrado como em “situação preocupante”. A ampliação do terminal de passageiros, que deve dobrar a capacidade do aeroporto, ainda depende da conclusão do projeto executivo e deve ficar pronta somente às vésperas da Copa do Mundo de 2014. Até lá, segundo empresários e especialistas ligados ao setor, transtornos serão inevitáveis.

“Em momentos de pico, o Afonso Pena vira um inferno”, desabafa o empresário e integrante do grupo de trabalho Pró-Aeroportos do Paraná, Valmor Weiss. “E o pior é que o que vemos hoje no aeroporto são intervenções menores visando à Copa, mas, quanto à nova pista, está tudo parado. E sem ela continuaremos com um aeroporto regional que é uma insignificância.”

O rápido crescimento no movimento de passageiros, segundo especialistas, traz ainda outro risco: o de que as obras de ampliação dos aeroportos brasileiros para a Copa sejam inauguradas já defasadas. Conforme previsão do Ipea, dos 13 aeroportos com investimentos previstos para o evento, dez estarão operando em 2014 acima das suas capacidades, mesmo com as obras concluídas – incluindo o Afonso Pena.

“Do ponto de vista operacional, a Infraero está tomando as providências para a Copa. Mas, quando as obras ficarem prontas, o Afonso Pena vai estar no limite novamente, afirma o coordenador do Conselho Temático de In­­fra­­estrutura da Federação das In­­dústrias do Paraná, Paulo Ceschin.

Capacidade revisada

No ano passado, a capacidade anunciada do Afonso Pena era ainda menor do que a informada atualmente. O aumento de 6 milhões para 7,8 milhões de passageiros ao ano, que hoje coloca o aeroporto em uma posição mais “confortável” e contesta o estudo do Ipea, ocorreu não devido às obras de ampliação, mas, segundo a Infraero, após um novo estudo, “baseado em processadores operacionais para um determinado nível de facilidade e conforto”.

O superintendente do Afonso Pena, Antônio Pallu, defende que mesmo a evolução prevista para os próximos anos não deve prejudicar o serviço no aeroporto. De acordo com Pallu, mesmo nos horários de pico a capacidade não é esgotada, e ainda há vários horários com baixa movimentação.

Investimentos em 2011 foram de R$ 1,1 bilhão

Ainda no ano passado, o governo federal assegurou à Infraero R$ 5,6 bilhões para serem investidos entre 2011 e 2014 nos 13 aeroportos localizados nas imediações de cidades-sede da Copa do Mundo. O montante, equivalente a R$ 1,4 bilhão ao ano, é três vezes maior do que a média anual investida em todos os terminais de 2003 a 2010.

Entidades e consultorias, po­­rém, divergem quanto à previsão dos recursos necessários para adequar os aeroportos à demanda cres­­cente. Estudo da Fundação Dom Cabral, por exemplo, defende um aporte de R$ 4,3 bilhões por ano até 2016 so­­men­­te para duplicar a capacidade dos seis maiores aeroportos do país. Já a Infraero afirma que os in­­ves­­timentos têm aumentado e devem ser ainda maiores nos próximos três anos. De fato, em 2011, os aeroportos receberam um aporte recorde de R$ 1,1 bilhão – valor 77,5% maior do que o repassado em 2010, quando foram executados R$ 645 milhões. Mesmo assim, 24% do orçamento previsto para o ano passado deixou de ser utilizado.

Dos R$ 1,1 bilhão, R$ 845,4 mi­­lhões foram investidos em obras e serviços de engenharia e R$ 299,6 milhões destinaram-se à compra de equipamentos, móveis, utensílios e terrenos. Os investimentos partiram de recursos próprios da In­­fraero (40%) e da arrecadação do Ataero (60%) – adicional tarifário que incide sobre taxas de embarque, pouso e permanência e deve ser, segundo a lei, destinado para melhorias da infraestrutura aeroportuária do país.

Obra

Ampliação do terminal ainda sem projeto

A obra de ampliação do terminal de passageiros do Afonso Pena deve aumentar em 17 mil metros quadrados a área total da estrutura, passando dos atuais 45 mil para 62 mil metros quadrados. Segundo esboços apresentados pela Infraero no ano passado, o aeroporto passará a contar com 64 balcões de check-in e sete esteiras de bagagem – hoje, são 30 balcões e quatro esteiras. A capacidade do aeroporto, que hoje é de 7,8 milhões de passageiros, passará para 14,6 milhões.

A Infraero, porém, ainda aguarda a conclusão do projeto básico e executivo da obra, sob responsabilidade da Beck de Souza Engenharia Ltda. A previsão, conforme a última atualização do documento Matriz de Responsabilidade da Copa de 2014, é que os serviços iniciem em abril deste ano e sigam até dezembro de 2013. No total, projeto e obras devem custar R$ 41,3 milhões.

Já a ampliação do estacionamento do aeroporto – uma das principais reivindicações dos passageiros que passam pelo local – está quase pronta. Aguarda apenas a instalação do sistema informatizado de gerenciamento e controle de acesso dos veículos. Segundo a Infraero, até o momento foram liberadas 429 novas vagas para uso, totalizando 1.109 vagas. Após as últimas adequações, o estacionamento passará a ter espaço para 2.202 veículos.

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