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Maiores eventos de Curitiba, como o Coral do Palácio Avenida, foram menos impactados por estarem na mão de iniciativa privada | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Maiores eventos de Curitiba, como o Coral do Palácio Avenida, foram menos impactados por estarem na mão de iniciativa privada| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

As comemorações natalinas de 2016 têm tudo para se apresentarem mais modestas. Enquanto por um lado pesquisas antecipam compras mais magras para o período, por outro, setores de turismo de todo o país acompanham apreensivos o encolhimento de verbas e patrocínios para os grandes eventos que costumam movimentar milhares de pessoas nesta época do ano.

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Em Curitiba, não é diferente. Embora na capital a maioria dos eventos continuem sob a alçada da iniciativa privada, o Instituto Municipal de Turismo (Imtur) diz que teve de encolher ainda mais o orçamento já tímido da pasta voltado ao fomento dos espetáculos de Natal. A caminhata, espécie de cortejo musical que abria as comemorações de fim de ano na cidade, não vai ocorrer, mesmo tendo custado aos cofres do município cerca de R$ 40 mil na edição anterior – um gasto acanhado comparado aos demais eventos locais.

Além disso, a contenção de custos também fez a pasta riscar do plano visitas às feiras de natal da região, atividades mais simples, porém, não menos importantes para destacar o calendário da capital.

“Em anos anteriores, chegamos a viajar com um material que a gente produzia para atrair turistas, principalmente agentes de viagem. E é claro que isso [corte de gastos] prejudica. Turismo é uma forma de desenvolvimento econômico, mesmo que ainda não exista essa percepção”, avalia Cristiane Santos, diretora do Departamento de Turismo do Imtur.

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Segundo ela, a Galeria da Luz, que encantou curitibanos e turistas em 2011 e 2012, também vai continuar fora dos planos este ano. O espetáculo, que custou em média R$ 3,5 milhões nas vezes em que foi executado, já não foi às ruas nos últimos três anos por falta de patrocínio.

“Tentamos viabilizar [recursos] através de patrocínio, mas não conseguimos ter a mesma relação com os apoiadores. Tentamos até com empresas privadas, bancos, mas não deu certo”, conta Cristiane.

Por todo o país

Mas o efeito da crise não é pontual e chegou até mesmo ao que pode ser considerado o maior espetáculo natalino do país: o Natal Luz, em Gramado, no Rio Grande do Sul. Com programações distribuídas em mais de dois meses, o evento saiu do papel com orçamento 30% menor. Enquanto no ano passado foram R$ 35 milhões arrecadados, em 2016 a produção teve de ser confeccionada com R$ 24,5 milhões.

A retração fez com que a Gramdotur, autarquia municipal responsável pelo Natal Luz, corresse para readaptar formas e processos para pôr em prática as comemorações sem afetar a qualidade da programação. Com os eventos gratuitos, as equipes buscaram renegociar preços com fornecedores e contratar artistas mais acessíveis. Com os pagos, a tentativa foi racionalizar a estrutura – dois dos três shows terão um cenário em comum – e testar um modelo de arquibancada que seja capaz de receber mais espectadores, uma vez que a frequência de apresentações foi diminuída.

“A nossa solução, tendo 11 milhões a menos, foi reduzir o custo por espectador”, destaca Enzo Arns, diretor de eventos da Gramadotur. “Apesar de a gente estar sofrendo seriamente as agruras da situação econômica global, de um lado a gente procurou se reinventar. E essa racionalização vai nos permitir, no ano que vem, fazer um natal muito melhor gastando muito menos”.

Segundo Arns, um dos maiores impactos negativos na produção dos espetáculos deste ano em Gramado foi a arrecadação por meio de lei de incentivo fiscal, que caiu drasticamente. Os R$ 7 milhões captados em 2015 ficaram em R$ 5 milhões nesta edição. Por outro lado, houve maior receptividade de empresas interessadas em apoiar o evento por meio de ações de marketing.

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