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Dante Mendonça

O fim da aranha-marrom e outros mitos

  • 22/01/2015 21:08

Desfeito mais um dos mitos de Curitiba. Um ícone, por assim dizer. Para infelicidade dos cronistas, contistas e outros contadores de lorotas, pesquisadores da UFPR descobriram uma poção mágica que vai dar cabo da aranha-marrom – um bicho papão da espécie Loxosceles intermedia que assustava criancinhas, fazia tremer senhoras, senhoritas e inspirar os seguidores do Vampiro de Curitiba: "Você é um homem ou um rato?" – ela desfere. "Você é uma mulher ou a aranha-marrom?" – devolve ele.

Com base aromatizada numa mistura de produtos naturais, a arma letal vai substituir os métodos tradicionais dos curitibanos para combater a Inimiga Número 2 da cidade – a primeira continua sendo a autofagia. Como se sabe, a aranha-marrom costuma se esconder em armários, escaninhos e gavetas, principalmente aquelas guarnecidas de meias brancas e, quando são enfrentadas – o que é muito raro –, até debocham das inúteis chineladas.

Um dos alquimistas da poção mágica, o químico Francisco de Assis Marques, conta que o projeto começou num grupo de pesquisas que estudava um repelente para o mosquito Aedes aegypti. Quando fizeram testes, um dos pesquisadores passou o produto no braço e colocou-o em uma gaiola com mosquitos. Notaram, então, que, além do efeito de repelência, os mosquitos também morreram em contato com a substância composta de produtos naturais.

Antes da Copa do Mundo, quando o mito da eficiência curitibana foi posto em xeque, o jornalista político André Gonçalves observava que há certos aspectos intangíveis que definem a imagem que as pessoas constroem de uma cidade. Certos mitos que gravitam em torno de cada lugar, construído muito mais pelos olhos de quem vê de fora.

Numa cidade que alimenta sua autoestima em torno do mito de sua eficiência, planejamento e organização – afinal, na capital dos ligeirinhos aqui entramos na fila até para pular poça d'água –, cedo ou tarde uma de nossas excelências técnicas iria dar cabo de mais um mito curitibano, bem como já deitaram por terra dezenas de outros. Do nosso cabedal de virtudes, o transporte público está sucateado e feito massa de manobra para o conluio de políticos e sindicalistas; está em marcha a guerra entre pedestres, ciclistas e motoristas; o tão celebrado Oil Man virou coadjuvante das mocinhas da cidade que agora pedalam nuas no meio da noite; a Loura Fantasma foi vista fazendo as unhas num dos salões da Marly; no que concerne ao planejamento urbano, o futuro a Deus pertence, e dos mitos inabaláveis, per omnia saecula saeculorum vai nos restar o projeto do metrô.

Com o fim da aranha-marrom, certas cenas nunca mais vão se repetir, como certa feita aconteceu num dos bares da moda. Na altura de meia garrafa de uísque, o alcoólatra conhecidíssimo pergunta: "Isto que você está vendo ao lado do meu braço é uma aranha-marrom?" O parceiro examina e responde: "Isso mesmo! A própria". O adicto ao álcool, então, respira aliviado: "Graças a Deus!"

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