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Os sobreviventes

  • Por
  • 22/11/2009 21:09
Para não perder os filhos, Marité e Tximagu fugiram de sua aldeia | Reprodução André Barbosa
Para não perder os filhos, Marité e Tximagu fugiram de sua aldeia| Foto: Reprodução André Barbosa

"Não matem nossas crianças"

Indígena por parte de pai, Sandra Terena ouvia-o desde pequena falar sobre a prática do infanticídio em diferentes aldeias do país, mas só se deu conta da gravidade do assunto já adulta. Quando há quase dois anos uma ONG brasileira e uma entidade evangélica dos Estados Unidos causaram furor internacional com um docudrama sobre a morte de crianças nas tribos amazônicas, Sandra já produzia seu próprio filme.

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Marité e Tximagu Ikpeng tiveram de abandonar a aldeia, no Xingu, para salvar os trigêmeos. No documentário Quebrando o silêncio, Marité relata como é o in­­fanticídio entre seu povo. "Nasceu, já faz o buraco, já fica tudo preparado. Quando nasce, enterram a criança. Enterram vi­­vo ou quebram no meio", descreve. "A gente não queria perder os bebês. A gente ama as crianças", diz. Por isso fugiram. "Se eu tinha de seguir as regras da cultura, não era bom para mim. Então falei: ‘vou quebrar essa regra e tenho que seguir outro caminho’". Ago­­ra, sonha cursar Medi­cina pa­­ra ajudar a aldeia, inclusive a mudar o pensamento.

O cacique Tabata Kuikuro também abandonou a aldeia pa­­ra criar gêmeos. "Como posso deixar meu filho? Alguém vai fa­­zer mal para ele, matando ele", diz. "Eles são meus filhos, não são bichos". Nem sempre o socorro chega a tempo. Marcos Mayo­ru­­na sobreviveu, mas o irmão foi queimado vivo aos 10 anos de ida­­de. "Nós éramos gêmeos, e o ca­­cique José interpretou errado. Mas meu próprio povo me condenou à morte", diz. "Todos os indígenas que matam gêmeos ou deficientes sofrem depois que analisam por que mataram". Adotado por um sargento do Exército, Marcos está há oito anos no Rio de Janeiro e faz faculdade de Enfermagem.

O infanticídio é particularmente doloroso para as mulheres. Lúcia Bakairi salvou o irmão do infanticídio ao enfrentar a mãe. "Minha mãe lutou para matá-lo. Ela saiu, foi embora para o mato. De lá ela veio para falar assim: ‘Ô criança, vai lá no mato, vai enterrar aquela criança’", relata. Até mesmo quem não tem grau de parentesco se sensibiliza com os condenados. "Essa aqui é minha criação", diz Kaiana Waurá, mostrando no colo a filha adotiva. "A mãe queria enterrá-la. A tia dela a levou para a casa da avó. Aí ficou cinco dias sem tomar leite. Aí, eu falei pro meu marido que vou criar ela", conta. (MK)

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