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Mesmo debaixo de chuva, Palácio Avenida encanta crianças e adultos | Brunno Covello/Gazeta do Povo
Mesmo debaixo de chuva, Palácio Avenida encanta crianças e adultos| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo
  • Peppa Pig: o presente eleito pelos baixinhos neste Natal

"Luminoso, água, refrigerante!" A voz do vendedor de apenas 11 anos é mais uma no meio de uma multidão de ambulantes, tentando atrair a atenção das pessoas. Milho verde, maçã do amor, pipoca, cocada, balões, bastões brilhantes, espetinhos, pulseirinhas, camisas de time, DVDs, brinquedos de bolinhas de sabão. O cenário, muito parecido com o de uma quermesse do interior, é o retrato do calçadão da XV de Novembro, no coração de Curitiba, nas noites de apresentação do coral de Natal do Palácio Avenida.

Pouco antes das 19 horas da sexta-feira, a cara da XV começa a mudar. "Tem espetinho de carne, frango e coração a R$ 3 cada", enumera Natalice Timóteo, 64 anos, manuseando uma churrasquei-ra improvisada na esquina da Monsenhor Celso. "Minha mãe vendeu espetinhos por 35 anos na rodoviária velha. Meu irmão também vende, meu filho está aqui me ajudando. É uma profissão de família", conta. No calçadão, no entanto, a fiscalização só libera a venda nas noites da cantata.

A poucos passos, um religioso, com uma caixa de som, tenta, em vão, alertar o público para o real sentido das comemorações do 25 de dezembro. Do outro lado, um grito de "DVD, quatro por R$ 10", se mistura com o som de um violino tocando Glad you came. Quase uma Babilônia moderna, em que os pais precisam desviar a atenção dos filhos dos apelos de consumo, sob o risco de irem à falência.

"Passei rápido ali, tentei fugir com tudo", conta a atendente comercial Gisele Nunes, 33 anos. Mas não teve jeito. Moradora de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, ela acabou cedendo ao apelo do filho Eduardo, 5 anos, e comprou um apetrecho cheio de luzes, para fazer bolinha de sabão. "Dia 19 é aniversário dele, comprei, mas é só", diz.

Galinha Pintadinha? Já era. A sensação neste Natal é a Peppa Pig, uma porquinha de uma série britânica de desenho animado. "É R$ 35, mas dá para fazer R$ 30", diz a peruana Mari Vélez, enquanto enfileira porcas de pelúcia sobre um tecido no chão. "Tem saído o boneco do Chaves também, porque morreu [o ator mexicano Roberto Gómez Bolaños, criador do personagem de TV], e a boneca Frozen", completa o marido dela, Jonny Vélez, reclamando do movimento. "O brasileiro tem esse costume de deixar para a última hora", lamenta.

Perto da fonte de água da XV de Novembro, tomada por carrinhos de guloseimas, uma família faz selfies com o celular. "É Natal e eles tocam essa música triste do Titanic. Deveriam escolher algo alegre", reclama uma menina, observando um grupo indígena que executa com flautas My heart will go on, hit de 1997.

Apesar da multidão que toma o calçadão para ver as crianças cantoras do Avenida, os vendedores ambulantes dizem não ter muito o que comemorar. "Está bem devagar mesmo. Depois da apresentação, as pessoas têm fome, daí vende um pouquinho mais", afirma uma vendedora de milho verde e doces. Quase na hora do espetáculo, os primeiros pingos caem como um prenúncio de sorte para os ambulantes que apostaram em capas e guarda-chuvas. "Hoje só vai vender capa", reclama a moça, com brinquedos luminosos.

Em tempo: neste domingo ocorre a última apresentação de Natal do Palácio Avenida. O espetáculo está marcado para as 20h15. Para as famílias, a última chance neste ano para ver a famosa cantata. Para os ambulantes da XV, uma das derradeiras oportunidades de garantir um Natal com mais dinheiro no bolso. Com ou sem chuva.

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