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| Foto: Fabio Conterno/Gazeta do Povo/Arquivo

A Polícia Civil vai pedir à Justiça a exumação dos corpos dos sem-terra Leonir Orback, de 25 anos, e Vilmar Bordin, 44 anos, mortos em um confronto com policiais militares nas terras da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, no dia 7 de abril. De acordo com o delegado Adriano Chohfi, a exumação, caso o Poder Judiciário autorize, servirá para tirar dúvidas sobre as mortes, já que a defesa dos dois integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) alega que houve mais de um disparo e que uma das vítimas teria levado um tiro na cabeça.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que os dois sem-terra foram mortos com um tiro apenas, um deles foi baleado na região frontal e outro pelas costas. O médico que fez a análise dos corpos não encontrou projétil em um deles, apenas o orifício de entrada.

A dúvida poderia ser elucidada caso o órgão estadual possuísse um aparelho de raio-x. “Infelizmente o IML de Cascavel, segundo os médicos, não possui um aparelho de raio-x em funcionamento”, afirma o delegado. A polícia pretende levar os cadáveres a um hospital para fazer a radiografia que tentará localizar se há mais projéteis.

De acordo com o delegado, caso as exumações ocorram, os corpos serão periciados novamente por outros médicos. Ele diz que isso não representa que o primeiro laudo esteja sob suspeita já que o IML e a Polícia Civil são órgãos independentes. “Nós não estamos suspeitando de nada, só queremos que, diante das alegações da defesa, não haja dúvidas da nossa imparcialidade com relação a descobrir os verdadeiros fatos”, afirma.

Para o delegado, o laudo do IML não caracteriza execução como afirma o MST. Ele ressalta que os tiros foram disparados de longa distância. “Execução de um tiro só fica difícil de aceitar”, afirma. Segundo Chohfi, há indícios fortes de que os policiais militares reagiram a um ataque iniciado pelos sem-terra.

Reconstituição

Além da exumação dos corpos, a polícia pretende fazer a reconstituição do confronto tanto na versão dos policiais, quanto na versão dos sem-terra. A data ainda não foi marcada, mas o delegado pretende que ela aconteça até meados de maio. Alegando transparência, a polícia vai pedir ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Polícia Federal e Ministério Público que acompanhem a reconstituição. Todos esses órgãos também investigam o confronto. A Força Nacional, que está em Quedas do Iguaçu, deverá ser convocada para garantir a segurança durante os trabalhos de reconstituição.

A investigação sobre o confronto havia sido encerrada oito dias após as mortes dos sem-terra. A polícia tinha um prazo de dez dias para encerrar o inquérito porque havia um sem-terra preso. Como ele foi colocado em liberdade, o Ministério Público devolveu o inquérito à Polícia Civil que agora tem 30 dias para levantar mais dados e concluir as investigações. Esse prazo poderá ser prorrogado por mais 30 dias.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) investiga a conduta dos seis policiais que participaram da ação. Durante o confronto, a polícia disparou 128 tiros. Quatro deles atingiram as vítimas, duas entraram em óbito e duas ficaram feridas.

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