Na época do crime, moradores protestaram contra a morte do rapaz | Daniel Castellano / Arquivo Gazeta do Povo
Na época do crime, moradores protestaram contra a morte do rapaz| Foto: Daniel Castellano / Arquivo Gazeta do Povo

Dez policiais militares foram denunciados criminalmente por envolvimento em um assassinato registrado na Vila das Torres, em Curitiba. O crime ocorreu em outubro de 2008 e vitimou André Santos das Neves, de 21 anos.

A denúncia, formalizada nesta terça-feira (21), foi feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MP-PR). Segundo informações do órgão, Neves foi morto por policiais na casa em que residia. Na época da ocorrência, os PMs envolvidos alegaram que a vítima havia sido morta porque teria reagido à abordagem. Eles também disseram que o rapaz estava armado e tinha ligação com o tráfico de drogas.

No entanto, investigações realizadas pelo Gaeco apontaram que, na realidade, o jovem foi executado. Dias antes do crime, ele já havia sido abordado por policiais e ameaçado de morte. No dia do assassinato, de acordo com o MP, os policiais foram até a casa da vítima com o objetivo de matá-la. Laudos de perícias realizadas mostraram que o jovem não reagiu e foi atingido pelos PMs com cinco disparos, incluindo um nas costas.

"Eles (policiais) disseram que não invadiram a casa, mas haviam marcas dos calçados deles no local. O aparelho GPS da viatura também mostrou que eles já estavam rondando a residência há algum tempo. Não foi uma abordagem acidental", diz o promotor Denílson Soares de Almeida.

Dentre os dez policiais denunciados, dois efetivamente teriam atirado no rapaz, dois teriam invadido a residência dele e outros seis teriam colaborado com a produção de provas falsas contra a vítima como, por exemplo, a colocação de armas e drogas na residência do jovem. Na época do crime, as autoridades alegaram que Neves estava com uma metralhadora, munições, 50 pedras de crack e maconha.

Os PMs foram denunciados por homicídio e fraude processual. Um dos policiais ainda deve responder por vilipêndio ao cadáver (ato de desrespeito), pois teria divulgado na internet diversas fotos do corpo do rapaz acompanhadas de frase irônicas. Os suspeitos negam todas as acusações, segundo o Gaeco.

O promotor Almeida contou que os acusados continuam na polícia e, por enquanto, vão permanecer em liberdade. Em 2008, todos estavam lotados na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), do 12º Batalhão da PM, mas no ano passado foram transferidos para outras unidades. O MP enviou um comunicado para o comando da Polícia Militar para que a corporação possa adotar as medidas administrativas que julgar necessárias.

Protestos

A morte de André Neves causou revolta de familiares e moradores da Vila das Torres. Eles alegavam que o jovem realmente não havia reagido e teria sido assassinado pelos policiais militares. Na época, eles relataram que Neves dormia com a namorada, grávida de quatro meses, quando a casa foi invadida pelos PMs.

Faixas foram colocadas nas proximidades da residência de Neves e, no dia posterior ao crime, os moradores chegaram a bloquear, por cerca de duas horas, a Avenida Comendador Franco – também conhecida como Avenida das Torres – para protestar contra a morte do rapaz.

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