
Após a tentativa de fuga que causou a morte de um policial e de dois detentos na noite de terça-feira, o Ministério Público Estadual (MP) vai solicitar à Justiça a interdição da Delegacia de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba que já foi interditada pela Vigilância Sanitária do município pelas péssimas condições de higiene na carceragem superlotada. A solicitação será feita pelo promotor de Justiça da cidade, Diego Fernandes Dourado.
Uma visita íntima fora de hora provocou o princípio de rebelião. Por volta de 23 horas de terça-feira, cinco mulheres entraram na carceragem com a permissão do investigador Rommel do Brasil Prudente Lima, 57 anos, para ficar com três presos. O detentos se recusaram a voltar para a cela ao término da visita e mataram o policial com um tiro na cabeça e outro no abdome. A arma que matou Lima teria sido levada por uma das mulheres aos detentos. Além deste revólver 38, a polícia encaminhou para perícia outros dois também apreendidos na delegacia.
Sem nenhum outro policial civil na delegacia, os três ainda tentaram soltar os outros presos com capacidade para 30 detentos, o distritro abriga 58. A fuga só não foi em massa porque policiais militares que faziam ronda nas imediações foram imediatamente à delegacia após ouvirem os disparos. No confronto com a PM, os detentos Edmilson da Silva e Adalberto Ferreira Correia morreram. Já Claudinei do Rocio Lourenço de Oliveira chegou a ser atingido na perna, mas conseguiu fugir.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar a rebelião. "Temos a informação preliminar de que o policial morto era quem facilitava a entrada dessas mulheres para visitas íntimas irregulares", afirma o delegado-chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Miguel Stadler, que comanda a investigação. Stadler também afirma que nem sempre os visitantes eram revistados pelos policiais.
Ontem o delegado já havia interrogado dez pessoas, inclusive para esclarecer a suspeita de que alguém recebia propina para permitir as visitas íntimas fora de hora. Oficialmente, as visitas aconteciam sempre às quintas-feiras, durante o dia. Entretanto, estavam suspensas há nove dias por conta de outra tentativa de fuga.
Ainda de acordo com o delegado, uma das mulheres, Sabrina Subtil, 20 anos, que está presa acusada de facilitação de fuga, disse ter sido convidada por uma adolescente para visitar o detento que conseguiu fugir. "Como pagamento, Sabrina e a amiga iam receber uma quantia em dinheiro e um quilo de cocaína", afirma Stadler.
Para esclarecer o caso, sete detentos de Almirante Tamandaré foram removidos para a sede do Cope, no bairro Hauer, em Curitiba. Outros 14 detentos serão transferidos de Almirante Tamandaré para o sistema penitenciário nos próximos dias para aliviar a superlotação da unidade.









