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Preservação

Rota de tropeiros, escarpa pode virar patrimônio natural

Nos seus 260 km de extensão, a Escarpa Devoniana abriga sítios arqueológicos e paleontológicos, além de uma natureza exuberante

  • Maria Gizele da Silva, da sucursal
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A Coordenação do Patri­mônio Cultural, ligada à Se­cretaria Estadual de Cultura, oficializou recentemente o início do estudo para o tombamento da Escarpa Devoniana como patrimônio natural do Paraná. A análise, que será comandada pela própria Coordenação e por professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), vai apontar preliminarmente quais áreas poderão ser incluídas no tombamento.

INFOGRÁFICO: Elevação rochosa que está sustentada pela formação furnas, veja

Com 260 quilômetros de extensão, a formação geológica é importante para o estado por sua natureza bela e exuberante e também por sua relevância histórica, diretamente ligada ao desenvolvimento do Paraná. É o que defende o professor do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Carlos Hugo Rocha, que participou de um grupo de trabalho que levantou informações sobre a escarpa. Sustentada por rochas que se formaram há 400 milhões de anos, a formação corta o estado como se fosse uma cicatriz, dividindo o primeiro do segundo planalto. O geógrafo Almir Pontes lembra ainda que a área possui sítios arqueológicos e paleontológicos.

Na extensão da escarpa tem também unidades de conservação como o Parque Estadual do Guartelá, que tem o terceiro maior cânion do Brasil, e o Parque Estadual de Vila Velha, cujo platô de arenitos foi formado há 400 milhões de anos. "Tem paisagens magníficas, que sempre atraíram o olhar dos visitantes", acrescenta Carlos Rocha.

Visão ampliada

Entre esses visitantes estavam os tropeiros que passaram pela região no século 18. Segundo Rocha, os campos naturais que margeavam a escarpa davam uma visão mais ampla. "Se um animal se perdesse ou se houvesse índios, eles tinham uma visão privilegiada, diferentemente do que acontecia dentro da mata fechada", comenta o professor.

O entorno da escarpa oferecia aos viajantes da época um bom lugar para dormir (os campos) e banhar-se (os rios da região) antes de levantar acampamento e seguir viagem. Foram nesses locais, conforme explica Carlos Rocha, que começaram a surgir as vilas e, mais tarde, as cidades. Com o crescimento dos núcleos populacionais foram sendo criadas também as ferrovias e estradas que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento do estado.

Campos naturais margeiam a formação

A Escarpa Devoniana tem ainda áreas remanescentes de campos naturais. Segundo a publicação Ecossistemas Paranaenses, o território do estado tem 8,4% de campos naturais. O professor Carlos Rocha, que participou dos estudos iniciais, estima que essa área seja ainda menor, não alcançando 5% por causa do avanço da agropecuária ao longo dos anos.

O Paraná já tem outras áreas tombadas como patrimônio natural, como a Serra do Mar e o Parque Estadual de Vila Velha. Para o professor Rocha, a inclusão da escarpa na relação de bens tombados não traria impactos na produção econômica do entorno. "Praticamente toda a área já foi usada e a que não foi é porque não oferece boas condições para a agropecuária."

Recentemente, a APA da escarpa ganhou um novo mapa cartográfico, mais exato que o anterior. O setor produtivo, representado pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), pediu uma revisão do mapa, mas ainda não há uma posição do governo estadual.

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