
A mobilização de estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que culminou na ocupação do prédio central da Reitoria há 14 dias, não impediu que a adesão ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) fosse aprovada. Na votação a portas fechadas, realizada ontem, 26 conselheiros votaram a favor e 17 contra o programa. Na UFPR, o projeto de expansão prevê abertura de 21 novos cursos superiores e quase 1,5 mil novas vagas até 2012.
A instituição está entre as 35 universidades federais que aderiram ao programa, dentre as 54 existentes. Apesar de o prazo ter terminado na segunda-feira, o reitor Carlos Augusto Moreira Júnior garantiu que a universidade irá ingressar no Reuni no primeiro semestre de 2008. Ele diz ter recebido a garantia do ministro da Educação, Fernando Haddad.
O projeto encaminhado ontem ao MEC pede R$ 248,5 milhões de 2008 a 2012. Serão R$ 189 milhões para custeio de bolsas para estudantes, contratações de 235 professores e 396 técnicos administrativos e mais R$ 59,1 milhões para investimento em edificações, infra-estrutura e equipamentos. Através do aumento no orçamento, pretende-se abrir também 24 novos cursos de pós-graduação 11 de doutorado e 13 de mestrado.
A proposta, porém, ainda será analisada pelo MEC, que irá informar até o dia 7 de dezembro se ela foi aprovada. "O que foi pedido está dentro das normativas exigidas. Não pedimos nada além do que o MEC pode nos dar", afirma o reitor. "Discutimos o projeto o quanto podemos. Talvez o prazo tenha sido estreito, mas fizemos o que foi possível."
Debate
A pouca discussão sobre o Reuni é a principal crítica dos estudantes. Ontem, cerca de cem universitários protestaram no Hospital de Clínicas, onde foi realizada a votação. "O primeiro passo que vamos dar é não assumir a legalidade do Conselho Universitário porque é fechado e porque não é paritário. Só os professores têm 70% de representação", afirma a estudante Gabriela Caramuru. Os alunos acreditam que, com o Reuni, as aulas passarão a ter um número excessivo de estudantes e que a expansão não pode ser feita por decreto federal sem respeitar a capacidade da universidade.
"O Reuni é um decreto. A reforma universitária tramita há 15 anos no Congresso. O governo abandonou a tese de lei e começou a legislar por decreto", afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) regional Sul, Lafaiete Neves. Para ele, o mais grave é que as universidades que aderiram ao Reuni só irão receber os recursos se alcançarem a meta de aprovação de 90% dos acadêmicos e se houver ampliação no número de alunos. "Pelo sufoco financeiro, as universidades acabaram aderindo ao programa."
A professora aposentada Milena Martinez, acredita que a pesquisa e os projetos de extensão ficam comprometidos com o Reuni. "O Reuni aumenta o número de estudantes e não sabemos como vai ser esse controle. Não vamos ter contratações nem dinheiro para esse número de estudantes", alega. Sobre a possibilidade de contratação de 235 professores, Milena acredita que isso não irá acontecer por que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê retenção de contratação no serviço público.
Para o reitor Moreira Júnior, o Reuni significa uma responsabilidade que a UFPR assume com as pessoas que pretendem ingressar na universidade. O reitor, entretanto, analisa com preocupação a possibilidade de parte dos recursos ser enviada passado o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2011, mas acredita que seria prejudicial não aderir ao programa. Segundo o reitor, o aumento de vagas começa efetivamente em 2009, com 1.065 alunos a mais e 14 novos cursos de graduação. Para 2008 o aumento será de apenas 40 vagas, pois o edital do vestibular já foi lançado.







