Alessandra e Emanuel, com os primos Guilherme e Matheus: eles levaram comida e bebida extra, mas congestionamento durou mais que o previsto | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Alessandra e Emanuel, com os primos Guilherme e Matheus: eles levaram comida e bebida extra, mas congestionamento durou mais que o previsto| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Pista no sentido Curitiba tem faixa liberada

A viagem entre São Paulo e Curitiba, que dura em média 6 horas, chegou a durar até 14 horas desde que a pista no sentido Curitiba da BR-116 foi interditada. No fim da tarde de ontem, a concessionária Autopista Régis Bittencourt informou que uma das três faixas da pista no sentido Curitiba foi liberada por volta das 17 horas, mas que ainda não há previsão para a liberação total.

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Reclamação - Falta de estrutura

Nos cerca de 25 quilômetros no sentido São Paulo não havia postos de combustíveis ou lanchonetes. Faltava sinal de celular, gasolina, banheiros e comida. A reclamação dos usuários é que o pedágio não oferece a estrutura necessária. "Nossa parte temos de pagar em dia, mas não recebemos nada em troca", diz o caminhoneiro Vilton Kavazola. Ele estava na estrada desde o começo da manhã e não tinha nada para lanchar.

Como a região da Barra do Turvo é extremamente pobre, com algumas casas ainda sem luz, o movimento de vendedores ambulantes era baixo. Uma das únicas a se arriscar foi a lavradora Ilma Medeiro de Andrade, 52 anos, que comprou duas dúzias de refrigerante e fritou bolinhos caseiros para vender. "Dá para ganhar um dinheiro, mas é pouco porque nem luz temos para armazenar mais latas em uma geladeira", diz. No local onde ela vendia as guloseimas, a lanchonete mais próxima ficava a dois quilômetros.

  • Veja que o congestionamento chegou a 30 Km em direção a São Paulo

Barra do Turvo (SP) - Os motoristas que saíram ontem de Curitiba em direção a São Paulo precisaram de muita paciência para enfrentar as longas oito horas de espera no congestionamento que atinge a BR-116 desde terça-feira, quando um deslizamento de terra bloqueou a pista no sentido Curiti­ba. A fila chegou a 30 quilômetros e fez com que os primos Guilherme e Matheus Moraes, ambos de 1 ano e 3 meses, sofressem na viagem para encontrar os avós paulistanos durante o carnaval. A comerciante Alessandra Moraes, 32 anos, e o sushiman Emanuel No­­gueira, 31 anos, deixaram Santa Catarina com os dois bebês no início da manhã para passar o feriadão em família.

Ontem à tarde, eles estavam havia mais de 3 horas parados próximo ao trecho onde houve o deslizamento. "Ouvimos na televisão e saímos preparados, com bastante comida e leite. Mas está durando mais do que o esperado, eles estão nervosos e a água está no fim", disse a comerciante. Ano passado, o casal foi vítima das fortes chuvas que atingiram Santa Catarina. "Sempre levamos pre­juízo com o mau tempo", afirma.

Caminhoneiros também sofreram com a fila. Alguns já tinham enfrentado uma noite inteira de congestionamento em direção ao Paraná e, em função do atraso, não puderam descansar. O trecho que normalmente era percorrido em 6 horas exigiu quase 20. Em alguns casos, o prejuízo financeiro tem de ser bancado pelos próprios motoristas, sem contar os gastos extras com alimentação e hospedagem. Ademir Fronza carregava um produto com risco de explosão e demorou oito horas para andar 15 quilômetros. "Não entendo qual é a complicação, se eles sa­­bem que existe este problema, por que não fazem algo para prevenir?", questionou.

O caminhoneiro Pedro Ângelo Jaeger levava uma carga de polietileno, muito visada pelos assaltantes, já que o produto é matéria-prima para produtos à base de plástico. "Pela norma da empresa não podemos rodar depois da meia-noite. Não sei o que vou fazer. Estou levando o chamado ‘ouro branco’ e não tenho onde parar", afirmou.

Ônibus

O motorista de ônibus Davino Darlei contou que, quando disse aos passageiros que o trajeto Curitiba-Iguape atrasaria cerca de oito horas, os passageiros acharam que fosse brincadeira. "Todos começaram a rir", disse. Parado havia mais de uma hora, o grupo já estava impaciente. O casal Willian Carlos Rodrigues, 26 anos, segurança, e Renata da Silva, 22 anos, vendedora, resolveu aproveitar os dias de folga para visitar a família e ficou com medo de chegar tarde. "Precisa­mos atravessar uma ponte e depois da meia-noite não há mais ônibus. Corremos o risco de ficar na rua", disse a jovem.

O comentário geral dos motoristas era de arrependimento pelo tempo gasto. O representante comercial Daniel Freitas, 28 anos, pensava em voltar para Joinville e perder o carnaval em vez de voltar a São Paulo. "Estou há quatro horas parado. Não sei o que fazer", lamentou.

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