Homens da Polícia Rodoviária Federal participaram  da operação para o transporte dos órgãos doados. | Divulgação/Polícia Rodoviária Federal
Homens da Polícia Rodoviária Federal participaram da operação para o transporte dos órgãos doados.| Foto: Divulgação/Polícia Rodoviária Federal

O telefone tocou na tarde de sábado (12) para Bruna Bulla Correia e Marcos Belizeti trazendo uma boa notícia: eles receberiam o transplante de órgão que tanto precisavam. Bruna e Belizeti foram os receptores no Hospital Angelina Caron dos órgãos de um homem que faleceu em Guarapuava, vítima de um atropelamento. A universitária 23 anos recebeu o fígado. O homem de 51, o pâncreas e um dos rins. Outro rim do mesmo doador foi encaminhado para um receptor em Maringá.

Familiares de Bruna e Belizeti contam que a notícia gerou um misto de surpresa, alegria e medo. “Ela sabia que esse dia uma hora ia chegar, mas tinha muito medo da cirurgia”, conta a mãe de Bruna, a enfermeira Bernardete Bulla. De acordo com ela, a filha estava há cerca de um ano na fila a espera por um transplante. Vítima de uma cirrose hepática causada por uma doença autoimune, Bruna convivia desde os 12 anos com o problema no fígado.

O quadro se agravou após a descoberta de um tumor no órgão em agosto de 2014. “Os médicos ficaram alarmados e ela voltou para a fila do transplante. Mas o que a gente achava que levaria apenas um mês, foi se alongando”, conta a mãe da jovem.

Na família de Belizati, a espera pelo transplante durou três meses. Mas foram 18 anos de luta para controlar a diabete, que além do pâncreas, também afetou os rins de Marcos. No começo deste ano, ele passou a ter de fazer sessões de hemodiálise, “Ele estava tão fraco, que ficamos com medo de que não resistisse à cirurgia”, afirma a enfermeira Marta Belizati, mulher de Marcos.

De acordo com o boletim médico informado pela assessoria do hospital, no fim da tarde de quarta-feira (16), Marcos Belizati estava em recuperação na enfermaria da ala de transplante. Bruna seguia em recuperação da cirurgia na UTI do Angelina Caron. O quadro de ambos era estável. Se tudo continuar a correr bem, eles devem receber alta em 15 dias e seguir para casa. “Tudo que quero dizer é obrigada à família do doador que, mesmo em um momento de muita dor, pode ajudar outras pessoas, como a minha filha”, afirma Bernadete.

O agradecimento de Bernadete é também um apelo para que outras famílias, no momento de perda de um parente, pensem em ajudar o próximo. Até julho deste ano, 105 doações deixaram de ser realizadas no Paraná devido a recusas dos familiares em permitir a retirada dos órgãos. Essa foi também a principal causa para a não realização de transplantes de órgãos nos últimos anos no estado. Neste ano, de 418 notificações de mortes encefálicas, 144 resultaram em doações.

Para tentar aumentar a aceitação da sociedade a doação e sensibilizar a população sobre o tema, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos promove todos os anos o Setembro Verde. No Paraná, o Jardim Botânico e o Hospital Municipal de Foz do Iguaçu ficarão iluminados de verde neste mês por causa da campanha. De acordo com dados da Secretaria de Saúde, 2.074 pessoas estão na lista de espera por um transplante no estado atualmente.

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