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História

Túmulo de Júlia da Costa é “descoberto”

Obra em praça central de Paranaguá revela uma “surpresa” para a prefeitura. Mas historiadores já pediam transferência dos restos mortais havia seis anos

  • Felipe Lessa
Curiosos acompanham a remoção da urna encontrada em Paranaguá, abaixo do obelisco que homenageia Júlia da Costa. |
Curiosos acompanham a remoção da urna encontrada em Paranaguá, abaixo do obelisco que homenageia Júlia da Costa.
 
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Uma urna com os restos mortais da escritora paranaense Júlia da Costa foi encontrada em Paranaguá, na manhã de ontem. Operários da prefeitura realizavam obras de reparo no monumento que homenageia a poetisa, na Praça Fernando Amaro, no centro histórico da cidade, quando depararam com uma escultura abaixo do nível do chão.

“Foi uma surpresa do acaso. Mexemos no obelisco, pois ele estava inclinado. A intenção era apenas arrumá-lo”, conta o secretário municipal de Serviços Urbanos de Paranaguá, Rudolf Amatuzzi Franco.

Os restos mortais da poetisa foram transferidos para o Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP), onde será construído um novo túmulo ao lado de outro renomado escritor local, Leôncio Corrêa.

Apesar da surpresa do secretário, pessoas ligadas à cultura já sabiam do túmulo. “A transferência ao panteão em nossa praça cívica é reivindicada há mais de seis anos. Finalmente iremos preservar a memória desta personalidade”, afirma o presidente da entidade, Alceu Maron.

Amor platônico

Júlia da Costa nasceu em Paranaguá, no dia 1º de julho de 1844. É considerada por historiadores locais como a primeira poetisa paranaense. “Filha de família tradicional, sempre se destacou pelo dom que tinha para artes, piano, música e poesia. Estava um passo à frente das outras mulheres do século 19”, conta Florindo Wistuba Júnior, professor de História do Paraná e vice-diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (Fafipar).

Membro do Centro de Letras de Paranaguá e do IHGP, Wistuba conta que o contexto de vida foi determinante para o estilo das poesias de Júlia da Costa. “Prometida a um empresário de posses desde os 16 anos, se casou com um homem muito mais velho, aos 27. Mudou-se para São Francisco do Sul (SC), onde passou muitos momentos de tristeza e solidão. Apaixonou-se por um poeta de codinome Benjamin Carvoliva, cinco anos mais novo. Com ele, manteve um amor platônico exclusivo por cartas. Na era do romantismo, ela escrevia muito sobre a saudade dos amigos e da cidade natal”, explica o historiador.

A escritora faleceu, em 1911, na cidade catarinense e o traslado de seus restos mortais até a Praça Fernando Amaro ocorreu em outubro de 1924, por iniciativa de poetas parnanguaras. O IHPG pretende realizar homenagens e cerimônia de sepultamento após o carnaval, em data ainda não definida.

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