Bombeiros usaram espuma para evitar o risco de explosão e água para diluir o combustível | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Bombeiros usaram espuma para evitar o risco de explosão e água para diluir o combustível| Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo

Paranaguá - Um vazamento ocorreu ontem no Terminal Público de Álcool do Porto de Paranaguá, 20 dias após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, derrubar a liminar obtida pelo Ministério Público Federal que impedia o funcionamento da unidade por colocar em risco os moradores da Vila Becker, cujas casas ficam a poucos metros dos tanques de etanol. Com o vazamento, que ainda não foi dimensionado, cerca de 15 famílias tiveram que ser retiradas de suas casas. Até a noite de ontem, elas ainda não tinham para onde ir.

Os moradores afirmam que começaram a sentir o forte cheiro de álcool por volta das 15h30 – às 20 horas, o odor ainda era forte no local a uma distância de aproximadamente 100 metros. "Saí correndo para ver o que estava acontecendo e o álcool estava na minha canela", afirma a dona de casa Eliane Delfino, 52 anos. "Assim que soube, corri para ajudar a tirar o pessoal e pedir para ninguém acender fogo. Uma faísca e tudo iria explodir", comenta o presidente da Associação dos Moradores da Vila Becker, Renato Francisco da Silva, que chegou a coletar uma garrafa pet de 2 litros cheia de álcool.

Uma das famílias desabrigadas por conta do vazamento era a da dona de casa Márcia Vieira Rocha, 40 anos. Ao chegar em casa, por volta das 17 horas, ela encontrou o quintal completamente alagado de álcool. "Entrei em casa e o álcool estava saindo pelo ralo do banheiro", informa a dona de casa, que mora com o marido, recém operado de trombose, e mais sete filhos. "Estou com meu marido operado e não tenho para onde ir. Ninguém veio aqui me oferecer um local para passar a noite", reclamava a moradora da Vila Becker ontem à noite.

Contenção

Os bombeiros foram acionados por volta das 16 horas. Quatro viaturas com 20 homens se deslocaram ao local. De acordo com o capitão Jonas Emmanuel Pinto, quando os bombeiros chegaram o vazamento já estava controlado pela brigada de incêndio do terminal. "A partir de então fizemos o trabalho de contenção do álcool que vazou e monitoramento de riscos", explica o capitão. Mesmo assim, o combustível alcançou um riacho que passa nos fundos do terminal – técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Ibama acompanharam o trabalho para dimensionar os riscos ambientais.

Os bombeiros usaram boias para conter o avanço do álcool. Já para evitar o risco de explosão por conta do vapor do álcool, foi aplicada espuma no terreno, além de água para diluir o combustível. Depois, os bombeiros só monitoraram a área até que todos os riscos foram extintos. "Só conseguimos eliminar todos os riscos por volta das 20 horas", informa o capitão Emmanuel.

Falha operacional

Em nota oficial, a direção da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) informa que houve uma falha operacional no descarregamento de uma carga de etanol transportado a Paranaguá pela América Latina Logística (ALL). A responsabilidade pelo descarregamento, informa a nota, é da Álcool do Paraná, uma das empresas credenciadas a operar no terminal.

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