O subtenente Edinei Carlos Teixeira, que trabalha em um posto de Guaratuba, foi o vencedor da categoria E | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
O subtenente Edinei Carlos Teixeira, que trabalha em um posto de Guaratuba, foi o vencedor da categoria E| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Provas

A disputa teve quatro provas, que avaliaram diferentes competências:

Aquathlon

Os competidores correram mil metros, nadaram outros mil e voltaram à areia para mais mil metros de corrida, avaliando o condicionamento físico.

Corrida ao pé de pato

O atleta deveria ficar deitado de costas ao pé de pato. Quando fosse dada a largada, ele deveria se levantar, virar e correr até o pé de pato diversas vezes, até que sobrassem apenas dois competidores para um pé de pato, avaliando a capacidade de explosão do bombeiro.

Salvamento com o cinto e salvamento com o pranchão

Nessas duas provas, foram avaliadas as habilidades técnicas e físicas do socorro.

  • Confira o resultado das competições

Matinhos - Eles chegam às areias às 7h20 e só saem às 19 horas. Enfrentam vento, sol e a água salgada do mar, em um trabalho silencioso. Tanto que poucos banhistas irão notar, mas, a partir de hoje, há, nas areias das praias do Paraná, nove guarda-vidas de destaque, os chamados Guarda-vidas de Ferro. Eles venceram a disputa do Troféu Elite de Salvamento Aquático, competindo com mais de 121 companheiros de trabalho.

Os "anjos da areia" se reuniram na terça e quarta-feira no balneário de Ipanema, em Pontal do Paraná, para as provas de aquathlon, corrida ao pé de pato, salvamento com o pranchão e com o cinto. Para esses atletas, não basta dominar as técnicas e conhecer o mar. É preciso estar muito bem preparado para agir rápido nos salvamentos.

"Aqui estamos falando de vidas a serem protegidas e o nosso corpo é o instrumento de trabalho", diz o subtenente Edinei Carlos Teixeira, de 43 anos, do posto de Guaratuba. Ele é o Guarda-Vidas de Ferro da categoria E (40 a 44 anos). "Receber este título significa que eu estou apto a zelar pela vida dos banhistas." Para ele, as situações mais emocionantes são as que envolvem crianças. "Ano passado me comovi ao retirar do mar um menino de 2 anos em um estado bem complicado", lembra, de certa forma aliviado, já que o menino sobreviveu. Hoje ele contabiliza 124 salvamentos ao longo de 20 temporadas. "Nem sempre é um número positivo, porque quer dizer que houve alguma falha na prevenção."

Além de Teixeira, outros oito guarda-vidas subdividos em categorias por idade também receberam o mesmo título. "Essas premiações são simbólicas e não representam pontuação para a carreira ou bonificações financeiras, mas dizem muito para quem as recebe", diz o tenente Leonardo Mendes dos Santos, relações-públicas do Corpo de Bombeiros.

Entre as mulheres, Rudinéia Rossi, de 23 anos, que trabalha em Guaratuba, foi a vencedora. Ela investe em treinamento durante todo o ano e paga uma escola de natação particular para se exercitar. Rudinéia conta que nunca havia pensado em trabalhar nas areias da praia. "Conhecia pouco da profissão. Sou da primeira turma de mulheres no Corpo de Bombeiros e me identifiquei com o trabalho quando entrei no quartel", conta. A rotina da praia não a desanima. "O cabelo fica muito queimado com o sol. Mas aí é abusar de cremes e filtro solar para se proteger", diz.

Entre as equipes, venceu a de Pontal do Paraná, composta por 37 guarda-vidas. "Durante a temporada fazemos exercícios no horário de folga dos guarda-vidas e selecionamos os melhores, mas muitos se preparam durante o ano todo para a função", diz o capitão Edson Oliveira Ávila, 38 anos, chefe da equipe, que considera que o maior ganho é a motivação.

Para o major Edenilson de Barros, coordenador da Operação Verão, em 15 anos de competição do Troféu Elite, muita coisa mudou. "Antes o perfil do guarda-vidas era mais reativo, ele esperava acontecer para socorrer. Hoje somos mais preocupados com a prevenção." Pelo levantamento do Corpo de Bombeiros feito na tarde de hoje (ontem), neste ano foram realizados 1.239 salvamentos e 111.744 advertências e orientações, números que fazem com que a corporação do Paraná seja considerada a mais preventiva do Brasil. "Nossas estatísticas indicam que a conversa com o banhista e o apito funcionam", diz Mendes dos Santos.

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