Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

Demografia caiçara

Valadares, uma cidade dentro de Paranaguá

Cheia de contos e lendas, a realidade se mistura à ficção na ilha que comporta quase um quarto do maior município do Litoral paranaense

  • Elisa Lopes, especial para a Gazeta do Povo
Única ligação ao continente, passarela alargada em 1994 dá vazão a pedestres, motos e bicicletas |
Única ligação ao continente, passarela alargada em 1994 dá vazão a pedestres, motos e bicicletas
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Avistar a ponte para a Ilha dos Valadares dá a sensação de que ali há a entrada de outra cidade dentro do município de Paranaguá, no Litoral paranaense. E o que parece apenas uma impressão se evidencia nos primeiros passos – o vai-vém de pessoas, motos e bicicletas sobre a passarela é constante e ininterrupto. Mas são os números que comprovam: dos 140 mil habitantes que vivem em Paranaguá, quase 30 mil estão em Valadares, ou seja, 17,8% da população parnanguara mora na ilha.

O bairro (como é considerado pela prefeitura) teve sua primeira citação oficial registrada em 1840, mencionando que existiam propriedades no local, na época, formado por 41 casas e 141 pessoas. De lá para cá, os registros misturam lendas, contos e não se sabe ao certo o que é ficção e o que é realidade.

“Em Brumas do Passado, o autor Rubens Corrêa fala de contrabando de escravos na ilha. O que provavelmente aconteceu, mas é uma liberdade poética, não há uma descrição correta do fato”, conta o tesoureiro e estudioso do Instituto Histórico Geográfico de Paranaguá, José Maria Faria de Freitas.

Em 1924, com o governo do médico Caetano Munhoz da Rocha, Valadares começa a se desenvolver, com a chegada das primeiras escolas, saneamento, serviços de saúde e de assistência social. Até então, os caboclos da ilha, como eram chamados, viviam do curandeirismo e das garrafadas com ervas para combater as doenças e o local era considerado um refúgio de poucas famílias, principalmente pescadores. Desse período em diante, começa o aumento gradativo de Valadares.

Com a população, vieram também as tradições da ilha – e do Litoral paranaense, como o fandango, o barreado, o artesanato e a farinha. Veio também o linguajar característico da região, que mistura palavras indígenas, antiquadas, muitos neologismos e uma boa dose de sotaque.

A passarela

Com a construção de uma passarela ligando o bairro a Paranaguá, na década de 1980, o crescimento da cidade dá um estouro, conta José Maria. “Aí a ilha vira uma esbórnia. Quem não tinha onde morar na periferia, que vinha das ilhas em volta da Baía, ia para o Valadares, principalmente gente de menos posses. Foi uma mistura de todos os povos”, completa.

Em 1994 a passarela é alargada, possibilitando a entrada de ainda mais gente, bicicletas, motos e até carros. Hoje a passagem pela ponte é permitida apenas para veículos oficiais, os de moradores entram pela balsa. Os três bairros principais de Valadares, Vila Bela, Itiberê e Sete de Setembro, vão sendo subdivididos pelos próprios moradores, que precisavam se localizar mais facilmente na ilha que só seguia crescendo. Hoje já se perdeu as contas de quantas subdivisões existem.

Atualmente, Valadares é uma mistura de passado e presente. Algumas ruas são asfaltadas, outras ainda são de areia fina e branca. Há grandes mercados e pequenas mercearias, com frutas e verduras em caixotes. É possível ouvir, em ruas distantes, o som de pássaros e de hits como Bonde do Tigrão e Michel Teló. Mas o espírito da cidade-bairro, do caboclo, das lendas e folclores, felizmente, ainda persiste em alguns detalhes.

Veja mais algumas imagens da ilha:

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE