Pires alega que perdeu a presidência da Funasa ao se recusar a lotear a fundação com  indicações do PTN e PMB. | Divulgação/Ministério da Saúde
Pires alega que perdeu a presidência da Funasa ao se recusar a lotear a fundação com indicações do PTN e PMB.| Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

A cinco dias da reunião do diretório nacional que definirá se o PMDB desembarcará ou não do governo federal, um aliado do vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, foi exonerado pela presidente Dilma Rousseff. Antonio Henrique de Carvalho Pires diz ter sido demitido da presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) por não aceitar trocar coordenadores da instituição para abrir espaço para indicações do PTN e do PMB. Peemedebistas avaliaram a exoneração do aliado de Michel Temer como uma provocação.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira (24), Pires, que se define como “híbrido político-técnico”, disse que há cerca de um mês foi procurado por Marcelo Castro, ministro da Saúde, pasta à qual a Funasa é subordinada, para que fizesse as trocas.

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Nesta semana, o engenheiro que comanda a fundação desde 2014 disse ter sido novamente abordado sobre o assunto, mas, desta vez, por Giles Azevedo, assessor especial da Presidência da República. “Terça-feira, fui chamado ao Palácio mais uma vez e disse ‘olhe, vamos aproveitar este ponto de não concordância e vocês já trocam o presidente também”, disse Pires, que continuou relatando sua declaração ao assessor especial de Dilma, Giles Azevedo.

“O cargo é do governo, está à disposição. Não aceito ficar numa situação dessas”. “Disse [isso] ao Giles. Já tinha dito ao ministro Marcelo Castro também. Está com mais de um mês que eu tinha dito a ele também”, afirmou Antonio Henrique Pires.

Ampliação de espaços

O agora ex-presidente da Funasa disse que as alterações eram para atender ao PTN, que nos últimos 30 dias passou de quatro para 13 deputados, e o PMB, que minguou de 22 para apenas um deputado que, no entanto, tem voto na comissão especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Há mais de um mês o governo vinha insistindo para que a gente trocasse algumas coordenações-gerais, que são coordenações, como financeira, de contratos, para poder atender outro partido. Dizia que não tem condições, que o presidente sou eu, o CPF é o meu. Então, não tinha como fazer as mudanças. Que arrumassem pelo menos servidores públicos e não pessoas que nunca exerceram o serviço público para atender partideco A ou B”, disse Antonio Henrique Pires.

Quem assumiu interinamente a Funasa foi Márcio Endles Lima Vale, indicação do PTN. O partido, que também tem um voto na comissão do impeachment, declarou-se independente e faz mistério a respeito dos votos de seus deputados no processo de impedimento da presidente. O líder do partido, Aluisio Mendes (MA), negou à reportagem que estivesse negociando cargos com o Planalto.

Antonio Henrique Pires disse que não é a primeira vez que pediram a ele para fazer trocas com viés político. “Houve mudanças drásticas no ano passado. Tiraram duas diretorias do PMDB para atender o PT e o PT do B”, afirmou.

Repúdio do PMB

O Partido da Mulher Brasileira (PMB), por meio de nota emitida por sua assessoria de imprensa, repudiou “a forma leviana e arbitrária que o nome do partido foi envolvido na exoneração do presidente da Funasa Antonio Henrique de Carvalho Pires”. O PMB informou não ter nenhum ter conhecimento de nenhum tipo de negociação e a presidente nacional da sigla, Suêd Haidar, reiterou nunca ter negociado nenhum tipo de vaga na Funasa. “O Partido da Mulher Brasileira é uma nova legenda, que busca uma nova forma de fazer política não compactuando com esse tipo de comportamento e com a velha forma de vivência político partidária”, diz a nota.

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