Sede do Tribunal de Justiça: concurso público é alvo de questionamentos | Antonio More / Gazeta do Povo
Sede do Tribunal de Justiça: concurso público é alvo de questionamentos| Foto: Antonio More / Gazeta do Povo

Lista

Há outras denúncias envolvendo o concurso:

- Parentesco: a filha do ex-presidente da comissão do concurso, desembargador Francisco Pinto Rabello Filho, era uma das inscritas para fazer a prova, o que não é permitido. O magistrado alega que não tinha conhecimento da participação da filha no concurso e diz que deixou a função logo que soube do fato, um dia após a realização dos testes. Segundo a assessoria do TJ, ele não tem contato com a filha. Rabello Filho ficou no cargo apenas durante o fim de semana de realização do teste e a filha dele não está na relação dos classificados que terão as redações corrigidas.

- Envelopes abertos: um dos candidatos com deficiência auditiva afirma que, em uma sala do câmpus Agrárias da UFPR, em Curitiba, o envelope com as provas já estava aberto e os testes estavam sobre a mesa dos fiscais. Isso contraria as instruções iniciais da avaliação, que informavam que dois candidatos deveriam acompanhar a abertura dos envelopes. Em nota, a UFPR confirmou que os envelopes foram abertos, mas alega que isso foi necessário. Segundo a universidade, como não houve a possibilidade de indicar o grau de deficiência de todos os candidatos, foi preciso fazer uma triagem momentos antes do início das provas, separando em outra sala as pessoas que precisavam de atendimento especial. Assim, as inspetoras de provas, acompanhadas de dois policiais federais, abriram os lacres para fazer a divisão dos testes.

- Fiscal: há a reclamação de candidatos de que uma professora de cursinho preparatório teria participado do concurso como fiscal de provas.

Entre os aprovados na prova objetiva do concurso público para técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), realizado no mês passado, está uma servidora de carreira do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), instituição responsável pela elaboração e correção das provas. A funcionária pública Eliane Aparecida de Nardin da Costa aparece em quarto lugar, com 46 pontos, junto com outros oito candidatos. O irmão da servidora, Edson Luiz de Nardin, também aparece na lista dos candidatos que terão a redação corrigida, mas em primeiro lugar, com 49 pontos.

Por telefone, Eliane afirmou que se inscreveu no concurso antes de a UFPR ser apontada como responsável pelas provas. "Assim que saiu o edital de quem aplicaria a prova em fevereiro, eu comuniquei ao Núcleo de Concursos que faria a prova e fui afastada das minhas funções", afirmou. A servidora disse não ter autorização para citar as atividades que realizava antes e depois da mudança. Segundo o Portal da Transparência, Eliane é assistente em administração. "Eu faço trabalhos administrativos. Não tem nada a ver com prova. Eu não tive contato nenhum", disse.

Através de nota oficial, a UFPR informou que, assim que foi confirmada como responsável pela banca do concurso, afastou de suas atribuições todos os funcionários do Núcleo que haviam se inscrito e trabalhavam em áreas relacionadas à elaboração e impressão de provas. Segundo a UFPR, este procedimento é padrão e não há nenhuma possibilidade de os servidores terem tido acesso à prova antes da execução do concurso.

Para o presidente da Comissão de Gestão Pública e Controle da Administração da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Luciano Elias Reis, a situação deve ser averiguada para constatar se realmente houve o afastamento dos referidos servidores. "Além disso, seria importante para a lisura e transparência do concurso que a realocação e o deslocamento das funções dos servidores fossem formais, isto é, instrumentalizadas por intermédio de um ato administrativo escrito", ressalta.

O Ministério Público do Paraná (MP) informou que está investigando denúncias de supostas irregularidades no concurso. Segundo o MP, nenhuma denúncia oficial foi feita sobre o caso da servidora pública, mas ele foi inserido entre as demais investigações.

Defesa

Único candidato a fazer 49 pontos na prova objetiva, o advogado Edson Luiz de Nardin afirmou que as supostas irregularidades o deixaram envergonhado e que estuda para concursos públicos há três anos. Nardin disse ainda que não tem muito contato com a irmã e não conversa com ela sobre provas e concursos.

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