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Bancada evangélica seria 3.º partido da Câmara

Crescimento de denominações protestantes aumentou representação na Câmara. Eleitores religiosos escolhem candidatos com valores parecidos aos seus

  • Chico Marés
Pastor Marco Feliciano se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos: evangélicos ocupam espaços importantes |
Pastor Marco Feliciano se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos: evangélicos ocupam espaços importantes
 
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Se a bancada evangélica fosse um partido, ela seria o terceiro maior na Câmara Federal. A frente parlamentar evangélica, que conta com parlamentares das mais diversas denominações, tem 76 deputados, número superado apenas pelo PT (89) e pelo PMDB (82). Com tantos deputados, o grupo começa a ocupar espaços importantes na Câmara, como a liderança do PMDB e o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara – fato que colocou o pastor Marco Feliciano (PSC) nos holofotes neste início de ano.

Não se trata de uma superrepresentação: hoje, os evangélicos são 22,2% da população do país. O crescimento ocorreu nos últimos 30 anos. Em 1980, eram apenas 6,6% da população, a maioria ligada a igrejas tradicionais. Eram 7,2 milhões de pessoas, o equivalente à população atual do Pará. Segundo o IBGE, em 2010 os evangélicos já eram 42,3 milhões, população equivalente ao estado de São Paulo, a maioria em igrejas pentecostais.

Para o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-RJ, esse fenômeno coincide com o período de estagnação econômica ocorrido entre 1980 e 2000. As igrejas pentecostais cresceram na periferia dos grandes centros urbanos, regiões com população de baixa escolaridade e com pouco ou nenhum acesso ao poder público. A partir da última década, essas igrejas, assim como boa parte da periferia, migraram também para a classe média baixa.

Para o cientista político Luiz Domingos Costa, do grupo Uninter, os pastores souberam compreender o sistema representativo brasileiro. O eleitor evangélico vota dentro de sua comunidade, em candidatos com um perfil socioeconômico e um sistema de valores ideológicos e religiosos parecido com o seu – uma efetiva representação. Costa destaca também que os evangélicos souberam ocupar legendas pequenas e médias, como o PSC e o PRB.

Jacob, porém, aponta problemas na relação eleitoral das igrejas com os fiéis. Para ele, uma parcela considerável de igrejas pentecostais usa o culto como um espaço para propaganda eleitoral.

Colaborou Isabella Lanave, especial para a Gazeta do Povo

Em Curitiba, grupo tem 11 vereadores

No mês passado, a Câmara de Curitiba oficializou a criação de uma bancada evangélica. Ela é composta por 11 vereadores – em um colegiado de 38. Com mais dois vereadores, a bancada teria um terço da Câmara, o suficiente para apresentar emendas à Lei Orgânica ou impedir a aprovação de matérias que exigem maioria qualificada. A bancada é liderada por Noêmia Rocha (PMDB), da Assembleia de Deus, e conta com vereadores de diversos partidos e igrejas.

Segundo o vereador Ailton Araújo (PSC), a bancada não foi criada para pensar em projetos e sim para trabalhar em problemas pontuais que cheguem até a Câmara. “Não temos a intenção de nos caracterizar como uma bancada específica”, diz. A bandeira do grupo, não diferente de outras frentes evangélicas, é a defesa da Família. “Mas não queremos polemizar”, afirma Noêmia, idealizadora da bancada.

Além de Noêmia e Aílton, estão na bancada Cacá Pereira e Chicarelli (PSDC), Tiago Gevert e Carla Pimentel (PSC), Cristiano Santos (PV), Chico do Uberaba (PMN), Dirceu Moreira (PSL), Jorge Bernardi (PDT) e Valdemir Soares (PRB).

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