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Relações internacionais

Brasil e EUA lucram mais como parceiros

Apesar de divergências políticas e comerciais históricas, os dois países têm mais a ganhar como aliados do que como rivais

Obama passa em revista as tropas brasileiras antes de entrar no Palácio do Planalto e se encontrar com a presidente Dilma Rousseff | Kevin Lamarque/Reuters
Obama passa em revista as tropas brasileiras antes de entrar no Palácio do Planalto e se encontrar com a presidente Dilma Rousseff (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)
Obama, sua esposa e suas duas filhas desembarcam do avião presidencial |

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Obama, sua esposa e suas duas filhas desembarcam do avião presidencial

Veja os laços antigos de Brasil e EUA como aliados e adversários |

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Veja os laços antigos de Brasil e EUA como aliados e adversários

Brasília - Em lados políticos opostos em relação ao Irã, em guerra no câmbio e às turras no comércio de etanol e algodão, Brasil e Estados Unidos têm motivos de sobra para trombadas diplomáticas. Por outro lado, os dois países convergem na defesa do multilateralismo das relações internacionais e no atendimento à demanda mundial por mais energia e alimentos. Entre prós e contras, especialistas apontam que ambos têm mais a ganhar como aliados do que como adversários.

Além disso, os dois países têm laços antigos de relacionamento, quase sempre amistosos. Essa aproximação começou no final do século 19, quando o presidente norte-americano Grover Cleveland arbitrou favoravelmente ao Brasil uma disputa por terras na Região Oeste do Paraná e de Santa Catarina com a Ar­­gentina. Nas décadas seguintes, os brasileiros ficaram ao lado dos Estados Unidos nas duas grandes guerras mundiais.

"Trata-se de um relacionamento sedimentado, histórico, firmado em bases firmes. É diferente do que acontece com a China", diz o professor Alberto Pfeifer, membro do Grupo de Análise de Conjuntura Inter­nacional da Universidade de São Paulo. Em 2009, pela primeira vez na história, os chineses se transformaram no maior parceiro comercial do Brasil – dado que também mostra a simbologia econômica da visita de Barack Obama ao Brasil.

Em 2009, brasileiros e chineses somaram trocas comerciais de R$ 36,9 bilhões. Já o intercâmbio entre Brasil e Estados Unidos ficou em R$ 35,6 bilhões. No ano passado, os valores chegaram, respectivamente, a R$ 56,3 bi­­lhões e R$ 46,3 bilhões.

O detalhamento dos números expõe outra guinada nas negociações com os Estados Unidos. Entre 2000 e 2008, o Brasil foi superavitário no comércio com os norte-americanos, passando a déficits de R$ 4,4 bilhões e R$ 7,7 bilhões nos últimos dois anos. Em relação à China, o superávit ficou na casa dos R$ 5 bilhões em 2009 e 2010.

Os balanços são reflexos da crise econômica mundial de 2008, que forçou os Estados Unidos a expandir as exportações para compensar as perdas internas. Apesar disso, Pfeifer alerta que o intercâmbio com a China é "menos sofisticado". "O Brasil exporta bem mais produtos manufaturados para os Estados Unidos, enquanto para a China mandamos essencialmente commoditties, como minério de ferro e soja."

O gerente internacional da Agência Brasileira de Desen­volvimento Industrial, Roberto Alvarez, destaca que o refinamento das relações com os Estados Unidos tem ficado cada vez mais evidente nos últimos anos, especialmente em projetos relacionados à tecnológica e inovação. "São os parceiros com quem temos mais proximidade cultural, geográfica, étnica. As empresas brasileiras que se internacionalizaram nas últimas décadas têm uma presença industrial muito significativa por lá", diz ele, citando Gerdau, Embraer e JBS-Friboi.

Para o professor José Flávio Saraiva, do Instituto de Relações Internacionais de Brasília, é certo que a visita de Obama está cercada de divergências, mas que pelo menos três delas serão aparadas a partir das conversas deste fim de semana. "Em primeiro lugar, será atenuada a impressão de que o Brasil deseja praticar ativismo político e ideológico no Irã. O contato com a Dilma vai elucidar isso de uma vez."

Depois, Saraiva prevê que haverá consenso sobre os perigos do avanço comercial desenfreado da China na América Latina. "Todos sabem dos riscos da desindustrialização da região." Por último, haverá alguma sinalização favorável de Obama para o aumento da participação brasileira em órgãos internacionais multilaterais como a Orga­nização das Nações Unidas (ONU).

Apesar de concordar com o consenso de que o norte-americano não vai aderir ao pleito brasileiro de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, ele acredita que haverá outros tipos de "afagos". "Os Estados Unidos sabem que perderam parte do seu poderio político. Eles precisam criar e fortalecer outros aliados; e o Brasil está entre eles."

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