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Custo da eleição

Campanha para a Assembleia custou 59% a mais neste ano

Os 527 candidatos a deputado gastaram R$ 42,8 milhões, metade dos quais arrecadados pelos 54 eleitos. Apesar disso, em um ano marcado por escândalos, o crescimento das doações foi menor na eleição do Paraná

Veja quem mais gastou na campanha |
Veja quem mais gastou na campanha (Foto: )
R$ 1,7 milhãofoi o custo da campanha de reeleição do deputado estadual Ney Leprevost (PP, foto acima), a maior despesa dentre todos os candidatos para a Assembleia do Paraná |

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R$ 1,7 milhãofoi o custo da campanha de reeleição do deputado estadual Ney Leprevost (PP, foto acima), a maior despesa dentre todos os candidatos para a Assembleia do Paraná

R$ 39,68 por votofoi o custo da campanha do deputado eleito Rasca Rodrigues (PV, foto acima), a maior despesa em relação ao número de votos obtidos |

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R$ 39,68 por votofoi o custo da campanha do deputado eleito Rasca Rodrigues (PV, foto acima), a maior despesa em relação ao número de votos obtidos

O custo da campanha dos candidatos a deputado estadual no Paraná em 2010 aumentou 59,2% em relação a 2006. Juntos, os 527 concorrentes do pleito gastaram R$ 42,8 milhões contra R$ 26,9 milhões dos candidatos de 4 anos atrás.

Mas, apesar do custo mais elevado desta eleição, o crescimento das despesas eleitorais ficou bem abaixo da média nacional, em um ano marcado pela pior crise da Assembleia Legislativa do Paraná, com a divulgação de uma série de irregularidades cometidas dentro da Casa. Entre todos os legislativos estaduais, o incremento médio de gastos eleitorais foi de 110%, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da organização não governamental Trans­­­parência Brasil.

A série de reportagens Diários Secretos, da Gazeta do Povo e RPC TV, mostrou que irregularidades como contratações de fantasmas podem ter resultado no desvio de mais de R$ 100 milhões da Assem­bleia do Paraná. As denúncias po­­­dem ter resultado no afastamen­­­to de potenciais doadores eleitorais.

Curiosamente, a campanha do Legislativo estadual que teve menor variação entre 2006 e 2010 foi a do Distrito Federal – também marcado por escândalos recentemente. No fim de 2009, veio à tona o envolvimento de deputados distritais com uma espécie de "mensalão" do ex-governador José Roberto Arruda. Os gastos dos candidatos à Câmara Distrital do DF cresceram apenas 35% neste ano em relação à eleição de 2006.

4ª mais cara

Apesar do crescimento menor do que a média nacional, a campanha dos candidatos a deputado estadual no Paraná neste ano foi a quarta mais cara dentre as 27 unidades da federação, segundo o TSE. Entretanto, considerando a despesa por eleitor, o estado ficou entre as disputas mais baratas (20.º lugar). Em um universo de 7,6 milhões de votantes, cada voto paranaense custou R$ 5,64. A média nacional foi de R$ 6,82. Esses números podem mudar porque ainda há candidatos que não prestaram contas de campanha.

Embora não tenha se destacado entre as campanhas proporcionalmente mais caras do país, o valor gasto pelos postulantes a uma cadeira na Assembleia consumiu muitos recursos. Os R$ 42 milhões gastos neste ano equivalem a todo o orçamento previsto em 2011 para a implantação da Defensoria Pública do Paraná (R$ 28 milhões), mais os investimentos em difusão do conhecimento científico e tecnológico (R$ 6 milhões) e na defesa sanitária animal em todo o estado (R$ 4,2 milhões).

Eleitos gastaram a metade

A prestação de contas eleitorais mostra ainda que a disputa pelas cadeiras da Assembleia do Pa­­­raná foi desigual. Os 54 deputados eleitos responderam por metade de todo o custo da campanha ao Legislativo estadual – a outra metade foi gasta pelos 473 candidatos não eleitos.

Segundo dados tabulados pela Gazeta do Povo, os eleitos declararam arrecadação de R$ 20,5 milhões. Como eles receberam 2,8 milhões de votos, o custo de cada um deles foi de R$ 7,22. Os votos "mais caros" foram de dois deputados novatos: Rasca Rodrigues (PV) e Pedro Lupion (DEM). O primeiro gastou o equivalente a R$ 39,68 para cada um dos 18,8 mil votos que recebeu; o segundo, R$ 22,09 para cada um de seus 37,3 mil eleitores. Pelos valores globais, a campanha mais cara foi a de Ney Leprevost (PP), eleito para o segundo mandato. Ele declarou arrecadação e gastos de R$ 1,7 milhão. Com R$ 1,4 milhão, em segundo lugar, aparece Alexandre Curi (PMDB), que foi denunciado à Justiça por improbidade devido ao caso dos Diários Secretos. As campanhas mais baratas entre os eleitos foram as de Gilson de Souza (PSC), com R$ 58 mil, e da tucana Mara Lima (R$ 82,7 mil).

Mudanças

"Não fui o candidato que mais gastou. Fui o que mais declarou. É importante frisar que fiz questão de anotar todas as receitas e despesas", comenta Leprevost, levantando a suspeita de que há candidatos que fizeram caixa dois.

Segundo ele, se o sistema político brasileiro não sofrer alterações, os gastos de campanha sempre aumentarão muito. "Defendo o voto distrital. Desse modo, o candidato fica restrito a um distrito, e não precisa se deslocar muito. Ele também tem que fazer a campanha ao longo dos quatro anos, porque será mais fácil para o eleitor acompanhar o trabalho de seu deputado", afirmou. Ele se diz contrário ao financiamento público de campanha.

Assim como ele, outros deputados questionados pela reportagem sobre seus gastos também defendem alterações no jogo eleitoral. "Não sei se é o financiamento público que resolverá isso, pois acho que isso dá brechas para caixa dois e não pode ser totalmente fiscalizado. Mas é preciso encontrar uma maneira de ter um sistema mais equilibrado", opina Augustinho Zucchi (PDT). O pedetista defende uma reforma política completa. "O nosso sistema está superado."

O deputado eleito Rasca Rodri­­­­gues também diz que é preciso um novo sistema eleitoral, que dê igualdade de condições aos candidatos. "Na prática há uma espécie de financiamento público, que beneficia os deputados e quem tem cargo. O dinheiro dos gabinetes é usado para atividades de campanha, privilegiando quem tem mandato e inviabilizando a candidatura de pessoas de fora da Assembleia", avalia.

O financiamento de campanhas é um dos temas que está sendo analisado por uma comissão de 20 juristas. Eles devem apresentar o anteprojeto de um novo Código Eleitoral até o 1.º semestre de 2011.

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